Curiosidades numa madrugada

Julho 6, 2009

É curioso pensar no frescor da madurga, no doce e confidente silêncio desta madrugada marcada por uma calma brisa.

É curioso constatar que esse frescor é o mesmo que eu sinto aqui ou no interior, ao contrário do sol, que já pensei ter sido essencialmente diferente entre cada um desses pontos. E é igualmente curioso pensar que isso me impele a querer voltar – ou a me fazer acreditar que o retorno será positivo – para me propiciar aproveitar outras madrugadas como essa, a la “bom vivant”.

É curioso pensar que eu ainda desejo e, mesmo face a suaves mas claras demonstrações de que eu não tenho chances de sucesso nessa empreitada, continuo a desejar.

É curioso perceber que essa persistência é fonte de culpa, raiva e insatisfação, comigo por persistir nalgo que parece com um erro e por ter perdido a chance quando eu tive, mas, em tênue intensidade, com a outra por não se submeter ao meu desígnio presente.

É curioso perceber que o meu silêncio e a minha meticulosidade ainda se mostram presentes e identificáveis para terceiros. E é igualmente curioso perceber o quanto me perturba os desdobramentos que a arte me mostra para a continuidade desse “standart” de conduta: um futuro parco, miserável no que toca a alegrias ou sucessos no campo mais frágil: os relacionamentos interpesssoais.

É curioso perceber e se preocupar com isso mesmo crendo ter a certeza de que eu já mudei, de que eu já  não sou aquele tipo puro, de que eu tenho consciência do problema e alguma disposição para superá-lo, ao menos com medo das consequências. A explicação não espanta: talvez eu me sinta mais próximo do tipo puro do que gostaria estar. Talvez ainda haja muito por mudar e superar. Talvez ainda haja muito o que aprender, satisfazer e expressar. E talvez a proximidade de um aniversário torne a marcar a percepção de que cada vez mais eu tenho menos tempo para tudo fazer, aprender e desenvolver.

Enfim, curiosas reflexões por conta do filme “A vida dos outros”, em que, infelizmente, dormi por metade.

Hasta!

C. Medina


Mas, filhão,

Julho 1, 2009

e não é que INÉRCIA perdeu os “is”?


Sem o peso de mil palavras

Junho 24, 2009

Ah, falei.
Meu sentimento é um misto de orgulho e de alívio.
Já vinha planejando o discurso desde domingo e, tendo remoíodo e repassado desde então, estava já agoniado. Titubeei pra começar mas finalmente fiz a ligação. Houve um ou dois assuntos de isca (oferenda sempre marcando presença) e depois eu fiz o gancho dizendo que tinha ficado muita coisa sem falar. E ela disse que também tinha, que tinha ficado deprimida no final da tarde, porque tudo passara muito rápido e havia ainda muito a ser dito. Eu havia sentido o mesmo: ficara feliz na manhã do domingo mas triste já na tarde, porque percebera quão tosco eu havia sido e que grande oportunidade eu perdera para ajeitar as coisas.
Ela havia começado uma carta, eu também havia pensado em fazê-lo, mas estava impaciente demais e temia enrolar cada vez mais as coisas.
E então eu começei a falar. Demorei pra engatar, mas depois que acertei, a coisa fluiu bem e sozinha, com espontaneidade. Disse quando eu percebi que começara a gostar dela, com o específico sonho e que o sentimento daí decorrente tinha crescido até se tornar sufocante, priscilesco e destrutivo. Vi que a gente falava horas mas não se divertia, nem ria mais. E estava incomodado. Quando ela me recebeu mal – não fui tão direto – voltei chateado com ela, que poderia ter me dito que não queria que eu fosse, simplesmente – frisei que ela tinha liberdade para isso -, mas chateado comigo, por ter a certeza de que meu sentimento, que deveria ser uma evolução da amizade, colocara em risco exatamente isso, esse sentimento anterior e maior.
Justifiquei com isso o afastamento: precisava passar a chateação com ela – que acabara com o pedido de desculpas – e precisava me organizar. A vinda dela tinha me mostrado que eu conseguira depurar todo o sentimento nocivo, exagerado, sufocante. Disse que ela ainda mexia comigo, e muito, que tomara minhas atenções na Trash, mas que eu conseguia administrar meus sentimentos e resguardar a nossa amizade, que era possível ela continuar, de um modo parecido como já foi. Por isso eu ficara tão feliz na manhã do domingo.
E ela, em resposta, me disse que começara a perceber as coisas a partir do dia em que a Luiza e a Giovanna apareceram na casa da dela e a fizeram um monte de perguntas. Desde então ela ficou se ligando nas coisas, mas sem muita certeza. Daí ela começou a ligar pontos, a ouvir o que Luiza e Betinho diziam, e a recolher elementos mesmo de mim. Quanto aos nossos telefonemas gigantes, ela percebia que eram uma fuga dela, das obrigações dela, e que causavam culpa, além de – delicadamente – dizer que sentia algo próximo do sufocamento a que eu me referira.
E eis que ela não estava confortável com a minha visita na sexta, e queria dizer toda a verdade, não jogar a culpa no cursinho. Mas achou que seria exagero e não o fez. Mas, estando acuada, se defendeu daquela forma, ficando distante. E achara que tinha corrido tudo bem. Mas veio meu silêncio. E ela contou para a Luiza o ocorrido, mas ela disse que era meu jeito, que eu não queria atrapalhá-la. Mas o silêncio persistiu e ela percebeu a merda que tinha feito, e disse ter sentido culpa.
[Ela pensou, nesse interegno, em que medida o desprendimento dela não era mais fuga, medo de uma relação e de suas implicações, e a psicóloga dela pediu-lhe que apontasse razões concretas para ser assim. E afirmou que era difícil pra ela dizer os limites do sentimento - referindo-se ao meu gostar -, ao que eu concordei- não sei quando ela disse isso]
Por isso estava ansiosa pela vinda, para saber como seria aqui, como eu a receberia. No silêncio prolongado que se seguiu, ela sentiu minha falta, percebeu que havia coisas que ela queria contar, mas não para os outros, só para mim, frisou que havia coisas que ela não queria contar para mim, que eu não aprovaria muito do que ela houvera feito nesse tempo, que ela não saberia como faria se não pudesse dormir aqui no meu quarto e conversasse comigo madrugada a dentro, como soía acontecer.
E que ela havia ficado muito feliz com o resultado, com a percepção de que nós dois, em nossa amizade, podíamos seguir.

Tenho muito o que refletir sobre tudo isso. A coragem de dizer, o alívio decorrente, a fluidez.
O fato dela haver ocultado que antes estivera a fim de mim. Isso me deixa preocupado com o caráter dela, que pode bem mentir em outros aspectos, embora eu concorde que é um campo tão íntimo que eu admito a mentira – ou omissão – com fins protetivos.
A valorização da amizade por mim e por ela, o que traz como corolário um problema: meu ciúme, meu conhecido ciúme, que já deu mostras na trash.
Tantos temas a pensar, tanto alívio no coração. Que sensação maravilhosa. Preciso registrá-la para as próximas ocasiões em que eu titubear ao pretender fazê-lo. Não há porque gestar e remoer se é possível libertar os pensamentos e sentimentos.
Hasta!
C. Medina


Dúvidas e fugas

Junho 16, 2009

Falei com minha xará hoje.

Respondi a um e-mail seu. Depois nos falamos por telefone.

Ela colocou em xeque minha decisão de retornar à pátria daqual estou exilado.

Não faz muito tempo eu disse a ela que pensava em continuar trabalhando aqui, num cargo mais simples, menos remunerado mas com mais horas livres. Disse que evitava o regresso por temer que as influências e encheções dos familiares fossem me sufocar e me atrapalhar lá.

Eu tentei argumentar que isso depende de grana, que o martelo só foi batido na questão de parar de trabalhar e que a ideia de regresso tem me agradado muito.

O que está por trás de tudo – embora eu tente escoder dos outros – é simples: dois fracassos no campo afetivo se tornaram o pingo d’água final.  Eu já estava de saco cheio de tudo e da falta de estudo quando todo o celeuma em torno da segunda surgiu. Com ela, a esperança de ter uma razão concreta para permanecer. Sem ela, já tendia com força pra saída. Agora que a primeira, que eu pensava já haver superado, me aparece com namorado, boa praça e amante da música, todas as minhas forças se centram na saída. No fundo, no fundo, é fuga. É não suportar a situação, é não encarar o fracasso.  É não aceitar que poderia ter sido eu a beijá-las, a tocá-las, mas não fui. É não suportar os comentários abonadores que se farão na sala de estar, que escorregarão nas conversas. É bem verdade que eu preservo as minhas relações com todos, congelando-as num ponto em que estão bem e estáveis, evitando que se degringolem. Mas também impeço que continuem e as condeno, de uma ou outra forma, à morte. É curioso. Preciso pensar mais a respeito.

De toda forma, não me sinto à vontade para prosseguir num jogo de máscaras, ocultando e reprimindo meu desejo mais presente, de insatisfação e ciúme. Por isso, exatamente por isso, a decisão de sair me parece tão certa, tão inexoravelmente adequada que a aceito sem muito titubeio.

Em resumo: penso que voltar ou ficar são atitudes válidas. Mas preciso ter certeza dos motivos que me farão decidir por uma ou por outra. Atingindo isso, um abraço. É fazer as malas ou desfazê-las de vez. Ainda tenho muito a refletir e a sopesar a respeito.

C. Medina.


Noite de inverno

Junho 14, 2009

Quais influxos me conduzem nessa amena noite de inverno no Oeste?

Preponderam duas sensações.

A primeira se resume ao medo com as implicações da decisão de voltar, agravadas pela percepção de que devo retornar literalmente para a casa de meus pais. Como os desdobramentos podem ser variegados, como a solidão pode ser algo de peso, especialmente no começo, tendo a me preocupar. Temo remoer e lamuriar, temo ver a certeza perder-se em meio ao desespero, especialmente depois dos primeiros tombos.

A segunda marca se refere ao dilema mais comezinho, com seus dois ou três nuances. O primeiro postulado tem algo de gutural, de animalesco. Quero e preciso me mover, me superar, ultrapassar os limites e dar vazão aos desejos que me dominam o corpo, sorver dos meus privilégios de macho. Mas ele tem seu contraponto no último titubeio. A solução me parece ser evitar seu prolongamento e repetir as tentativas, tentar de fato o bote, para errar e errar, até obter sucesso, ainda que o alvo não seja do perfil que me agrada. Os outros dois têm nome, feminino por sinal, e me consternam e confundem pela gentileza e atenção evidentemente extemporâneos. É curioso, porque vêm no momento menos apropriado, justamente quando os sentimentos que nutria pelas duas sofreram baixas históricas. A primeira experimentou minha súbita ausência ao longo de seis meses e, ao que me parece, voltou a ser delicada e interessada, como eu só vira no longínquo dezembro-07, janeiro-08 , apenas porque,  tendo começado a namorar, (1)teme meu permanente afastamento, mesmo porque encontro dificuldades para conter um inesperado tsunami de ciúme. (2)Ou será a pura saudade de quem se apresentava como um amigo confiável? Acho que as duas se combinam. Com relação à outra, a mudança radical se processou há um mês, durante duas semanas. Passei da pessoa mais interessada do mundo para uma que não se sentia confortável em conversar com ela. Optei, então, pelo afastamento puro e simples. Por responder msg e não enviar, para tentar conduzir a relação ao status dos primórdios da amizade. Quando o faço, ela volta a ser simpática. O que concluir? 1) a Fernanda estava certa? 2) ela entendeu o recado e, crendo termos restabelecido a amizade, acredita poder agir com liberdade – e dizer que sente saudades – sem se preocupar com o fato d’eu pensar que ela indica ir além? Acho que a segunda assertiva, mas as certezas só virão depois do encontro face a face. Além do mais, tenho uma conversa pendente, ainda sou credor de uma explicação sobre um pedido de desculpas. Veremos o que virá.

Eis o quadro, ainda que imperfeito.

Lá fora, algo próximo do psytrance ribomba pelos espigões da cidade. As raves atingiram o interior, mas delas não participarei. Ao menos não ainda.

C. Medina.


Menos um dia, mais um ciclo

Junho 2, 2009

Meus caros,
Hoje o dia foi daqueles mais bizarros. Cheguei no trabalho animado, já iniciando a contagem regressiva. Eis que me deparo com uma desequilibrada louca gritando ao telefone. E descubro que houve uma devassa no meu lado da sala. Todos os meus processos foram revirados e a os prontos – uns 60 – foram tirados de mim.
Isso me deu uma ponta de incerteza sobre a minha escolha de ontem, mas ainda acho que foi o melhor a fazer. Mesmo colocando em risco minha licença-prêmio do ano que vem, eventual briga se resolverá com um pedido de exoneração da minha parte, diretamente protocolizado na Presidência. Simples assim.
Durante a noite, vi os balanços do mês de abril. O acréscimo foi de pouco mais de R$ 1600,00. Isso, somado ao meu salário-base, irredutível, me garante boa vida aqui pelos meses que se fizerem necessários. Efetivamente, não devo ter medo de exonerar.
Quanto a isso, sinto como se estivesse a cumprir a minha sina. Meu destino.
Sinto a chance de, mais uma vez, recomeçar.
Com efeito, se eu encarei minha vinda pra cá como um recomeço, uma abençoada chance de recomeçar, de efetivar uma reforma íntima, também assim devo encarar meu retorno ao interior.

Vejo como se mais um ciclo da minha vida estivesse pronto pra encerrar e como se já antevisse o outro que se inicia.

Penso que cumpri minha missão aqui. Vim, estudei na faculdade em que devia estudar, graduei, passei na OAB. Fui estagiário, passei a trabalhar e ascendi até o cargo mais elevado que, sob o prisma estritamente jurídico, alguém podia alcançar na estrutura sem ser da Chefia. Cumpri, ao menos de forma mediana, o que me competia no aspecto profissional.

Reformei meu modo de ver o mundo. Tornei-me mais permeável aos aoutros, mais condescendente. Aprendi que nem sempre ou quase nunca eu estou certo, que a verdade é relativa, que há muitas formas de se alcançar um mesmo ponto. Tornei-me mais apto a lidar com as diferenças e com as incongruências, embora às vezes eu não consiga. Tornei-me mais sociável. Fiz amigos no trabalho e, principalmente, fora deles. São uma meia dúzia, mas muito valorosos e muito queridos. Aprendi o que é ser carinhoso com eles e deles receber carinho.Criei, com alguns deles, uma relação efetivamente familiar. E com os parentes deles, uni-me a uma família inteira. Construí aqui, dessa forma, amigos, família e uma identidade.

Ah, desejei. E consegui dar alguma vazão a essa torrente, embora mais, muito mais, seja necessário. Amei. Como amei. Perdi meus sentidos amando. Soube o que é ser tragado por tal sentimento. E sofri, como sofri. Mas tudo cicatriza e desse sentimento só resta o etéreo e fantasmagórico ciúme. Até fui amado, pena que não ao mesmo tempo ou pela mesma pessoa que eu amava. Paciência, é como aconteceu.

Agora que meu trabalho se torna quase insuportável, agora que eu atngi uma reserva suficiente pra sair, agora que as regras de admissão na carreira que almejo mudaram profundamente, exigindo uma preparação mais ampla, mas principalmente agora que não vislumbro mais objetos de desejo alcançáveis e, pelo contrário, desejo sim me afastar dos meus focos anteriores, seja porque tenho dificuldades em conter o ciúme, seja porque outros têm me visto como uma cifra apenas, agora que o carinho dos demais vai perdendo sua importância e eu vou me centrando novamente cada vez mais em mim, agora que minha mãe volta a ser uma grande preocupação, valorizo mais minha família (de sangue) e quero mais voltar. Volto a pensar em escolher SJRP ao invés de I, S ou P. Retornam meus planos de outrora. Constato que a vida é mesmo cíclica.

(Ao tomar banho, voltei a pensar num amplo programa de reforma da minha família. Poderei garantir o sustento e a saúde dos mais velhos. E não esqueci das possibilidades que eu terei de custear a educação de todos os meus primos e, com isso, de preparar uma geração da minha família para abandonar de vez a pobreza ou a classe média, ao lhes permitir meios seguros de sustento e de desenvolvimento dos seus filhos, para aprimorar ainda mais a geração seguite. A chance de fazer deles um time imbatível, que vai se desenvolver, que vai superar, que vai crescer e, insisto, se desenvolver, se aprimorar, progredir em todos os aspectos. Será a chance de instaurar a paz e a auto-suficiência em escala familiar. De unir novamente uma família cujos ramos têm se afastado e que, se eu nada fizer, somente tendem a se distanciar cada vez mais e a levar os meus mais próximos para caminhos tortuosos e obscuros)

A junção disso tudo é que eu assumo que meu tempo aqui se esgotou ou está em vias disso. Das muitas metas que eu previra, várias foram medianamente, pelo menos, atingidas. Outras tantas precisam de atenção – e o campo afetivo é ainda o mais problemático. Mas não importa que não  foram aqui alcançadas. Outro ciclo se iniciará em breve e eu tenho bagagem para melhor enfrentá-lo, para nele consertar o que em mim não consegui ainda reformar. Mais uma chance da vida eu terei para acertar onde errei, para aparar as arestas e afinar a sintonia.

Ontem, ao caminhar pelas ruas chuvosas da cidade, já me aproximando da meia-noite,  senti novamente o ar que eu inspirava. De fato, apesar do adormecimento de anos, eu me sinto vivo de novo. E todo um novo mundo me espera.

Agoniza um jovem. Outro está prestes a nascer. Adeus ciclo velho, adeus rapaz da Capital. Benvindo M. do interior (pela segunda vez).

Vamos proceder em breve às exéquias.

M.


Decisão difícil

Junho 1, 2009

Tanta coisa se passou desde o último post.

Um amor veio degringolando, degringolando, e morreu para, muito recentemente, dar ainda um suspiro na forma doentia do ciúme.

Um outro surgiu, meio que por interesse, meio porque evoluindo de muita admiração. Mas, igualmente, teve destino trágico, se não tragicômico. E também vai morrendo, levando consigo uma amizade rápida e a chance de, por um deslize imperdoável, eu vir a sofrer no futuro, por ter confiado demais (ou por querer muito que os outros descubram o que está oculto).

Começou a terapia, começou o Espiritismo.

Veio morar comigo a srta. 1. Saíram outros dois. Agora chega uma tal srta. 4.

No meio disso tudo, meu chapa no trabalho saiu, sairá agora quem me colocou no lugar. O ofício se tornou inevitável, mas eu recusei uma chance concreta e até segura de sair dele.

E esse é o tema.

Abandonei a chance porque tenho medo de mudanças, de piorar a situação em que já me encontro.

Fi-lo essencialmente por isso, por considerar que exercer uma j0rnada dupla em junho não tinha muito sentido. Seria manter um esforço exagerado que simplesmente bastaria para me garantir como assistente por mais dois meses (junho e julho).

E, de quebra, tomei mais uma decisão: dou o aviso prévio em 15/09, inexoravelmente. Espero, em 15/10, estar no cartório, tirando minhas férias, que se prolongarão até 14/05/10, possivelmente, data em que pedirei a exoneração.

Pesa-me a falta de lealdade com a M., a inconstância, o paradoxo de reclamar e não apoveitar uma chance, ter usado minha avó como desculpa.

Sustentam-me a doce ideia de ter acionado uma contagem regressiva breve, que será sobremaneira dificil no primeiro e no último meses mas suportável nos dois outros. A percepção de que antevejo o término da minha jornada aqui na capital, de que outra vez eu começo uma fase nova, muito em breve. Fase de transição, de consolidação, que me atrai.

De outro lado, pensar que eu vou poder focar minha atenção fora do gabinete pras minhas coisas também é relevante. O mesmo se diga dos gatos no trabalho. Pensar em que eu não preciso suar demais a camisa, que eu não preciso me esforçar pra aprender. Que eu terei férias (!!) de meses de duração, remuneradas com acréscimo de um terço.

Me sinto mal por M., que encerrou dizendo que precisa de alguém que goste dela, coisa que eu bem faço. Mas minha relação com ela era de uma conexão e de uma companhia subserviente com prazer, o que era prejudicial pros meus estudos, embora muito gratificante.

Rogarei por ela, de coração, assim como espero ter forças pra suportar meu conflito com meu Chefe.

E espero ter tomado a decisão correta.

Oxalá tenha sido assim.

Afetuosos abraços deste ausente mas não morto,

Medina.


Quem não se posiciona numa contenda

Dezembro 26, 2008

Assume o risco de ser visto como inimigo pelos dois lados.

Era uma vez 3 amigas.

Conhecia 1 e, por meio dela, 2 e 3. 1 e 2 são iguais, idênticas. Despachadas, alegres, amorosas, divertidas. Me conquistaram instantâneamente.

3 era reservada, soturna, calada, pensativa. Ganhou-me pela semelhança comigo em meus momentos mais introspectivos.

Eis que sobreveio a desavença entre as três.

Eu não fora avisado, mas intuíra, por uma conferência de 1 com outro sr., que os ventos não eram de concórdia.

Até que 3 desferiu um duro, insensível e desproporcional scrap contra 2. Essa, aliás, respondeu de modo magnânimo, calmo e sereno, perfeitamente.

Tendo em vista as boas relações com as três, e como 1 e 2 nada me exigiram, ponderei q 3 estava fora de si e quando recobrasse juízo pediria desculpas. Mas mantive minhas relações normais com as três, apenas cuidando para não comentar de uma com outra e dando um “gelo” em 3, mas sem cortar o contato.

Eis q 3 me manda um scrap assim: “me conta dos babados” “Não esqueceu da sua amiguinha do coração”. Eu me fiz de rogado e contei dos acontecimentos mais recentes, omitindo qualquer palavra sobre 1 e 2, por prudência e respeito. Sabia q isso seria tomar um partido dúbio e nocivo à minha amizade com as três.

Mas agora 1 descobre o recado que três deixou. E, incontinenti, assim comunica 2:

“viuu..deparei-me com uma coisa tosquissima agora pouco…além disso, tbm uma coisa mto de pau mandando..ou, sei la, de peixe vermelho ( sera mesmo essa a cor? hehehe) dentro do aquario !
Tomara que eu tenha entendido errado ! huaahuahau mas senão, fofocas rolarão no ano novo ! “

Me preocupa o “tomara que eu tenha entendido errado”.

Será que eu fui tomado por “espião”?

Não gostaria, msm pq vou viajar horas a fio para passar o ano novo com 1 e 2. Minha vontade sincera era passar tudo a limpo.  Mas só a virada dirá.

Até lá, a espera, mais ou menos ansiosa.

Hasta!

Medina


O estado da arte…

Outubro 11, 2008

Que diferença de tom com relação ao último post.

Estive com você no final de semana passado.

Não, não ficamos.

Mas ao menos eu matei minhas saudades de você. Em três dias, mantive um convívio fisicamente intenso.

Lembrei-me de como é a textura da sua pele, de quão afilados são seus dedos. Senti o relevo da sua face, o cheiro do seu cabelo.

Ah, como esquecer dos momentos infindáveis em que tive você reclinada em meu ombro, deitada no sofá, enquanto eu acariciava sua mão e seu rosto;

Como olvidar o loiro dos teus cabelos, tão próximos dos meus olhos, à esquerda de meu tronco. Como esquecer dos abraços que lhe dei, do quanto me aprouve enlaçar-lhe, de como pude lhe apertar, a ponto de escutar os batimentos do seu coração.

Como esquecerde quando você me estendia a mão, de como eu brinquei com você, satisfazendo plenamente o que eu desejava, sem me ocupar do que pareceria aos olhos dos demais.

Como apagar de minhas memórias o teu ciúme bobo das mensagens do meu celular, sem que você soubesse quão profundo ali pisava, ou mesmo de quando você retribuiu o agrado, afagando a minha face, olhando pra ela. Só me pergunto, porque não correspondi, naquele momento, aos seus olhares.

Como esquecer de você após ler a sua carta. Como fazer minha admiração cessar o seu crescimento face a clareza com que você conseguiu transmitir suas idéias, atendendo aos rigores formais da escrita mas veiculando uma carga emocional tão profunda, verdadeira e universalizável que me comoveu por completo, a ponto de vencer meus embaraços e dizer que a amo, afirmação que hj não se reveste de grande valor, é verdade, mas que foi proferida com uma veracidade de cujo conhecimento só o emissor tomou consciência. E vem com a veracidade ímpar de um sentimento que hoje, nesse minuto (18:25), é essencialmente neutro, amorfo, indefrinido, porque varia entre o fraternal e o puro desejo.

Interlocutora, sigo cada vez mais seguindo a fórmula de Camões a Dinamene:

“Teu, como cativo”

Medina


Paradoxo

Setembro 21, 2008

Eu sofro quando eu não te vejo, quando eu não falo contigo, quando não te sinto.

Eu sofro quando não te vejo. Quando penso no tempo que passo longe, quando percebo que meu trabalho consegue tomar horas preciosas – e das mais preciosas – de nossa convivência. Eu sofro quando nossas agendas não batem, e quando dá certo, mesmo com a coincidência de cidades, eu sofro por passar tão pouco tempo contigo.

Eu sofro quando não falo contigo. Quando estamos distantes, eu poderia aplacar a tua falta pela conversa. Mas nem sempre as coisas vão bem: eu sofro por não conseguir me comunicar com você. Eu me atormento por não saber introduzir uma conversa, por não usar vocativos que me pareçam adequados, por nunca saber se você está ou não ocupada e se quer, ou não, continuar a falar. Eu não consigo encadear os assuntos a contento e raramente termino a ligação com aquela sensação de satisfação. Eu sofro por me parecer apenas um bom “bad times consigliere“, mas imprestável para os tempos de bonança. Não versado nos temas amenos e na felicidade. Eu me atormento por não saber conversar e por não saber, n’algumas vezes, ouvir, mesmo quando estamos fisicamente um defronte o outro. E eis que você me parece incomunicável.

Eu sofro quando eu não te sinto. Sem te ver e quase sem falar contigo, você me é apenas idéia. E idéia daquelas que esmaecem e perdem sua nitidez com o tempo. Me sinto tão apartado de você que quase não te sinto. É bem verdade que eu ainda me lembro da tua presença tão perto da minha. Lembro da proximidade do teu corpo, dos abraços e cutucões brincalhões, da tua cabeça reclinada no meu ombro. Da tua mão na minha mão. Eu ainda lembro, com lamento, do dia em que enlacei com as mãos a tua cintura e tive tua boca tão perto da minha, tão próxima que podia sentir o teu hálito então temperado pelo álcool.

Eu sofro por perceber que nós hoje nos gostamos com intensidades distintas. Me atormenta a idéia, que definitivamente tento afastar, de que nunca gostaremos um do outro da mesma maneira e que, na verdade, o melhor seria dar de ombros, e deixar de querer colorir essa amizade primária, permitindo que ela crescesse como as demais, com a mesma intensidade e sem os travamentos e embaraços que caracterizam de uma forma tão clara pra mim como deve ser para os outros o quanto eu gosto de ti.

Mas aí, e este o ponto que mais me faz sofrer, eu corro um fundado risco: o de te perder. O de haver queimado uma chance com a qual não tive ainda paralelo em minhas experiências. O de quebrar meu estigma, meu maior estigma, quase que o único restante, que é manter um relacionamento decente com alguém que valha a pena. Eu sei, e só eu sei, como a tua personalidade me fascina. Eu sofro pensando em como me deixei cativar pela sua simpatia, pela sua fragilidade em alguns momentos e pela sua força em outros. Pela sua determinação, pela sua paixão pelo conhecimento, pela sua seriedade intelectual, pelo quanto você é despojada com alguns temas e preocupada com outros. Tudo isso fez de você uma pessoa ímpar pra mim, a minha metade mais semelhante. E eu sofro por perceber que você é a peça que faltava no meu quebra-cabeças, a michelle pfeier deste tony montana, aquela que seria o norte para minha ascenção rumo às estrelas.

Ah, mas eu sinto quão distante isso parece estar. E sofro, pensando que talvez você tenha vindo na minha vida pra que eu pudesse discernir o que me faltava, o que seria o meu paralelo. “Cuidado: veja, admire, entenda, perceba, mas não toque; não é sua”. Tudo isso sem que eu pudesse te ter pra mim. E vejo que o mundo parece ter uma lógica perversa.

E entre tantos sofrimentos, eu penso no que já ouvi: o gostar tem de trazer bons sentimentos, mas não puro sofrimento.

E tentando fazer a conta, pra somar as alegrias que você me proporcionou e proporciona, e subtrair um rol tão amplo de sofrimentos, eu não chego a um resultado matemático, porque o tema não é propício, e nesse labor, sofro ainda mais um pouco.