Reflexões, vol. I

Janeiro 25, 2008

Deixo de lado meus exclusivos problemas pessoais pra abrir espaço a uma discussão um registro que me parece importante, sobre um tema que sempre me afligiu e tem a ver, ao que me consta, com o já tantas vezes dito desconcerto do mundo.

O mote da estória: – é meio escroto, mas vamos lá – o programa MTV True Life, da MTV gringa, que mostrava a estória de 3 gênios, 3 moleques superdotados mas que, a despeito disso – como se a regra, pelo menos do que a gente vê nas tvs, não fosse essa – enfrentavam diversos problemas na sua vida pessoal.

Em síntese, os casos eram os seguintes: um moleque com ouvido perfeito, que aos 14 tocava violino de um modo absolutamente impressionante, encantador, e tinha um puta talento pras matérias acadêmicas. Contudo, vivia afastado e estigmatizado no colégio e queria – veja só, que típico – conhecer como era uma festa de adolescentes.

O segundo era um mongol de nascimento que, por não ter nd que fazer, jogava xadrez pra se destrair e aos 5 anos já era um fenômeno. Veio aos 17 pra jogar comercialmente e sustentava, aos 22, a família. Nessa altura, tinha um BMW e fazia academia – parecia um torurinho. Grande mestre aos 18, era o 5º do mundo antes de ir a um torneio no México, onde esperava ganhar mais $ pra família e subir no ranking.

O terceiro era um geninho, que tinha uma capacidade interessante: raciocínio super-rápido nas exatas e conseguia mandar pra memória de longo prazo quase tudo o que aprendia – ou seja, memorizava pra caramba as coisas. Queria, aos 14, ir pra faculdade (ou melhor, Stanford), mas foi rejeitado porque lhe faltava destaque.

Algumas observações rápidas:

1- se o violinista nascesse na Europa dos séculos XVII-XVIII eu tenho certeza que estaria arranjado e seria uma personalidade, freqüentaria as melhores festas da Corte sem se preocupar – bem, isso se tivesse destaque e tivesse a chance de tocar um violino, pq podia ser simplesmente um coitadito camponês ou um mendigo de rua. Mas eu fiquei pensando: será que foi vantagem ele nascer no século XX, na potência das potências?? Talvez ter surgido num contexto de maior atraso não lhe teria feito mais FELIZ??

2- Porra, o moleque enxadrista – acho que Var é seu nome – é bom pra cacete mas enfrenta uma puta pressão diária com essa estória de preciso ganhar pra sustentar minha família e trazer mais conforto a eles. Putz, a habilidade dele o tirou da Mongólia, o que me parece um grande feito, mas essa rotina dele não me parece, em verdade, invejável. O cara tem de se preocupar com ganha pão da família que sai diretamente dele!!! Essa realidade sem dúvida é familiar a muitos, muitos. Não a mim, graças a Deus, ou melhor, em parte não a mim, que só sinto uns reflexos disso de vez em quando mas tem sido bem compensador. O ponto é um só: embora seja gindo de louvores aquele que exerce bem o papel de arrimo da família, isso não é justo consigo próprio. Quem quiser assumir este papel deve estar ciente de que não é jornada fácil nem agradável, e que a pressão somente aumenta. Cuidado com isso….

3- O terceiro moleque era o mais feliz, ao que me parece. Tinha um aparente bom relacionamento social e era bom no que fazia. A reflexão que ele me proporcionou foi a seguinte: porra, que país é esse em que ser um gênio e mandar bem nas matérias não basta para o ingresso numa Universidade??? Que modelo de potência é essa??? Onde está a tão discutida meritocracia??? Poxa, permitam a insatisfação: não bastava ser um gênio, tinha que ter um diferencial??? MEU DEUS DO CÉU, que absurdo!!! Será que os gênios lá estão em tanta abundância assim, que dá pra escolher??? Meu, o moleque trabalhava num laboratório que pesquisava a recuperação da mielina, pra combater uma doença (esclerose múltipla) aos 14 anos!!! Depois da escola, esse era seu bico!!! Ah, por favor, e ele não tinha um diferencial pra Stanford?!!!!

Não pretendo, em verdade, concluir uma coisa com as reflexões que eu fiz sobre esses três. Mas me fica uma úncia sensação: de que esse mundo não é dos mais justos, nem dos mais suaves pra se habitar. Mesmo quando se é agraciado com um dom de poucos (os caras disseram no programa que só 1% da população é de gênios – eu conheço bem mais de 100 pessoas e confesso que apenas uma se aproxima disso, mas não me parece ser de fato genial -) não se tem uma vida muito fácil, não. Será que em outros períodos não era mais fácil? Não se obtinha mais destaque? Sobretudo, porém, fica a idéia seguinte: “

Onde está o reconhecimento por estas habilidades especiais que são postas em favor de todos, em benefício do desenvolvimento da ciência ou das artes, como nos casos apresentados (exceção talvz fosse o enxadrista, mas eu considero esse esporte uma arte)?”

Não falta pra estes caras um merecido destaque (“Ah, eles ganharam um programa da MTV…” – vsf, isso não é porra nenhuma)?

Será que nós ainda não aprendemos, enquanto sociedade, como lidar com eles?

Porque o bom uso de suas habilidades não é bem visto?

A minha resposta é que nós ainda não conseguimos lidar bem com as diferenças e temos medo daquilo que é muito diferente de nós. Com isso, rejeitamos e estigmatizamos, pondo de lado, por temor ou inveja. Mas não pode ser assim, nós temos que acolher cada vez mais, tomando sempre o cuidado, é claro, de evitar que outros possam querer abusar das faculdades e dons que lhes foram concedidos.

Só assim, ao que me parece, vamos principiar o concerto do mundo.

Nossa, esse foi profundo, pacas…


Por que cargas d’água….

Janeiro 23, 2008

Eu não queria, digo de coração, eu não queria.

Eu tentei, sou sincero convosco, mas nessa eu falhei…

Isso me mostra, contudo, a indecisão típica dos homens.

Ontem à noite, reclamava da falta de sentido da vida, do desânimo para prosseguir na peleja diária.

Hoje à tarde, ainda no trabalho, encontrei uma certa interlocutora no msn e a conversa evoluiu bem, muito bem, tanto que fiquei até as 19:30. Quando a vi, uma grande alegria me bateu e eu me diverti com ela, de verdade. Embora nunca tenha mentido, o “adorei falar com vc” foi muitíssimo sincero.

Eu tentei, já disse, não queria que acontecesse. Queria desfrutar e levar a coisa sem preocupações. Contudo, falhei, e a prova cabal disso é a tal alegria que me preencheu um vazio sem fim quando falei hoje à tarde, espantando todo o desapego e a tristeza que me abatiam.

Por que cargas d’água eu fui me apaixonar de novo?

Volto ao ponto da indecisão – estava triste porque não via perspectiva – fiquei feliz com a conversa da interlocutora – agora volto a ficar triste de medo de não dar certo e me ferir de novo. Mas agora, escrevendo aqui, percebo o meu erro: essa vida foi feita de tentativas e sem elas não há acerto. É bem verdade que a sorte não passa selada na nossa frente mais de uma vez, mas já passou uma e duas, quem sabe não passa uma terceira?? Por isso, mesmo que nessa passagem eu não consiga alcançar a alça da sela, é melhor estudar bem o cavalo e ir chegando perto. Porque as trilhas pelas quais caminha a tal sorte sõa inteiramente desconhecidas e, quiçá, no futuro estarei eu mais perto dela?? Isso me faz lembrar que todo aprendizado é válido. E embora o carinho e a cabeça da caríssima Interlocutora não sejam encontrado por aí em abundância, ao menos com ela garanto uma amizade confidente e “treino” pros futuros desafios que possivelmente triharemos nesse ano. Mas a par disso, em seguimento estrito às leis da atração, vamos nos concentrar no nosso foco:

INTERLOCUTORA, my fairy lady who stands on the walls, life is short and wait is long. The stars, away, dim with the dawn, my fairy lady who stands on the walls. Por isso, venha logo me visitar que nós fomos feitos caminhar juntos por essas paragens. Mas vem logo que eu tô com saudades…

Piegas e revelador, mas verdadeiro.

Abraços,

Medina


Mais do mesmo

Janeiro 23, 2008

Caríssimos,

 francamente, estou cansado de remoer a mesma estória. Pra melhorar, a chuva interrimpeu ontem qualquer tentativa de comunicação!!!

Debati longamente o assunto e não cheguei a uma conclusão. Vi esperança de um lado e conseguiram me inculcar a idéia de que o culpado na estória fui eu - claro, nem preciso dizer que essa façanha teve uma autora, amiga minha. Ah, o corporativismo feminino sempre me impressiona….

Só me resta um apelo silencioso pelo fim do silêncio. Porra, porque não abrir o jogo e explicar pro bobão aqui que passa?

Um apelo, então, musical:

“Fairy lady, who stands on the walls
Life is short and wait is long
The stars, away, dim with the dawn…
Fairy lady, who stands on the walls

Your tale has only begun
It comes from far, the Nowhereland
The wind is blowing a sound well known…
Fairy lady, your love is long gone”

Interlocutora, o tempo passa, e após esse ano nem eu nem você seremos iguais, estejamos juntos ou separados!!! Só te peço que abra o jogo, sem medo de mim. Me faça entender tudo o que se passa nessa sua cabecinha pra eu que possa acalmar a minha cabeça e meu coração e, quiçá, te ajudar a solver os teus problemas. Mas não me deixe nessa angústia, tentando construir teorias e teorias em cima do vazio, do nada, teorias que, por mais sólidas que pareçam, se desfazem como um castelo de cartas. It´s all I ask of you, pra terminar numa referência musicada.

Abraços,

Medina
 


E agora, José? parte III

Janeiro 19, 2008

Camaradas,

Desde a última escrita nesse blog muita coisa aconteceu. Tudo começou com conversas mal engatadas, que não me levariam a lugar algum. Dopo, umas bem acertadas e uma informação: “sexta estou aí. Saímos?”. Claro.

Mas aí que vem a surpresa: um dia antes “estou na cidade!! Fala comigo….” Vixe, nem preciso dizer que os planejamentos tiveram de ser adiantados e a burra gemeu pra parir as libras. Não, mentira, tenho que agradecer essa adiantada que me fez ampliar o visu com estilo (e preço). Aliás, mais uma vez vejo que a pandurice não tem porque continuar: dá pra gastar medianamente e fazer um puta efeito.

O fato é que a quinta pode se resumir em três atos:

1ª surpresa: ela chegou mais cedo

1º tormento: arrumar tudo a tempo – aí cometi o erro mais banal: contei a terceiros o ques se passava. Como eu ainda insisto nisso, depois de tanto tempo se ferrando??

2ª Surpresa: ela já está no ônibus a caminho de casa

2º tormento: bem, na verdade, graças ao pasalix, não passou de um calor grande que se acalmou depois de 12 horas de sono initerrupto. Relaxantes, aliás.

Hoje acordei com uma só idéia: dizer que ela é fantástica, tem muitas das qualidades que eu procuro, tem muitas coisas em que se parece comigo = tenho uma grande empatia por ela.  O que quer que vá daí derivar, não me importa mais, nesse momento (00:10), mas vai depender de muita conversa e muito tempo junto. Pena é que nesse fds não vai ser, nem no próximo (exame à vista), nem no terceiro – carnaval. No quarto, é véspera do início das aulas. Em resumo, já era!!!!!

Mais uma vez, o resultado da brincadeira se resume na expressão do Fantasia “Tiro n’águaaaaa”. Há uma saída? Remota. Em primeiro lugar, preciso engatar melhor os assuntos do msn e parecer mais agradável de se conversar, coisa que eu não estou sabendo levar de jeio nenhum. Mesmo que isso dê um fruto sequer, como eu já previra, a mudança de ambientes vai querer fazer ela mudar e não há como competir contra compatibilidades e contatos duradouros e diários.  Em suma, o fruto não vai se perpetuar.

O saldo de agora:

- poder confiar nos amigos não tem preço. Poder confidenciar o que se passa sem receios de qualquer ordem é algo imprescindível e inigualável. Li hoje que todos precisam de alguém assim num raio de no máximo 100 km.

- inteligência não acompanha a bondade de coração e a delicadeza, ou, mesmo, a educação. Ah, isso é mais uma constatação. uahuhauuahauhhau

- voltamos à estaca zero com um componente negativo – um furo latente!! De qualquer modo, dessa vez eu me recuso a acreditar que ela somente foi “legal” e eu interpretei errado. Não havia porque ser assim, tão solícita e atenciosa, com um completo estranho, nem tão incisiva na fofura das mensagens, em como era bom falar comigo, em como seria legal se eu estivesse na net depois. Forçei a barra com um negócio do comovocêgostadeserchamada, me fudi, ao que parece, mas esse foi um erro de menor monta. O ponto – e essa foi a idéia que dominou minha manhã – é que ela não sabe o que quer, está acelerando além do que ela mesma aguenta. Embora remanesça agora a “doença da tia”, a súbita mensagem – estou aqui – a rápida viagem, a certeza da véspera sobre se ver e sair, tudo me indica um conflito sério sobre o que se quer. E aí, o ponto que me deixa p., a minha chateação em não ter sido avisado. Eu só queria isso. Meu gênio acanhado e meus freios de controle bem desenvolvidos jamais me permitiriam chutar o pau da barraca ou exigir explicações, mesmo porque não havia porque fazê-lo – eu não tenho um direito sobre a pessoa e a vida alheias. Mas só queria ser avisado e não ia, de jeito nenhum ficar puto e fazer escândalo. O que mais tenho com as pesoas – e elas não têm comigo – é paciência e compreensão. Cada um tem de andar na sua velocidade, é o melô do tímido. E isso é o que eu penso. Se ela não sabe o que quer, não precisa se preocupar. Vamos devagar, eu prefiro assim.  Vamos até onde for possível, até onde o negócio caminhar. Nem um passo a mais, nem um a menos. Mas era só isso o que eu queria que ela entendesse. Mas preciso de muita conversa via msn pra retornar nesse ponto. Talvez eu começe numa dessas dizendo desculpar por ter ligado atrás de seu telefone, mas acho que ela correu o risco : quem mandou a mim avisá-la??? Ela própria!! Então, suporte as csq!! Mas isso já fica pra outra estória.

Abraços afetuosos de quem passou a quinta-feira a base de medicamentos (não, quase isso)

KKMedina + um recheado copo de Vodca


E agora José? parte II

Janeiro 15, 2008

Bom meus caros,

depois de muita piração com aquelas estórias, falei um montão de tempo no sábado e no domingo. Tanto que até enjoei…

O problema: acho que a mina também, pq entrei no msn e qndo fiquei on line ela saiu!!!

Duas lições a gente aprende daí:

1) Prenda o laço, mas deixe respirar;

2) Não vá com muita sede ao pote, se não, o pote acha que você perdeu a graça e também você acha que o pote não era lá aquelas coisas.

Como ficamos agora, José?? Não ficamos, só esperamos ver o que vai dar…

Abraços,

KK Medina


E agora, José???

Janeiro 15, 2008

      “E agora, José?
          A festa acabou,
          a luz apagou,
          o povo sumiu,
          a noite esfriou,
          e agora, José?
          e agora, você?
          Está sem mulher,
          está sem discurso,
          está sem carinho,
          já não pode beber,
          já não pode fumar,
          cuspir já não pode,
          a noite esfriou,
          o dia não veio,
          o bonde não veio,
          o riso não veio
          não veio a utopia
          e tudo acabou
          e tudo fugiu
          e tudo mofou,
          e agora, José? “
 Carlos Drummond de Andrade

A semana passada, eu confesso, começou bem envolta em penumbras. As dúvidas, os problemas rotineiros, o excesso de trabalho, o desgaste no trabalho, a pressão do exame vindouro, tudo caminhava num belo camiho destrutivo. Prova cabal e irrefutável disso são os fios pelo caminho e as aftas que surgiram (é, nojento, mas …. verdadeiro).

E aí que, do nada, do pleno inesperado, uma notícia à moda de convencimento, de ordem para a ação, muda tudo. Um “aja”, “faça, que há margem de abertura”. E olha que o passado, nesse tema particularíssimo, foi mais de vontade irrealizada e tênue aproximação do que qualquer outra coisa.

Coincidentemente, durante a noite, uma chance de maior conversa, de mútuo conhecimento. Para mim, acima de tudo, de apontamento de coincidências. Depois de uma longa conversa pelas linhas do msn (que me fez esquecer, sem culpa, do arroz no fogo e do próprio jantar), já passava da uma quando eu “pedi pra saí”, me rendi não bem ao sono, porque àquela altura do campeonato eu e minha cabeça estávamos à mil por hora. Cedi, em verdade, ao cansaço que já me consumia, às costas doídas que pediam o alento de uma cama. E aí, encerrei, com grave pesar de minha parte, aquela conversa que começava despretensiosa pra mim. E fui lidar com outras coisas no pc. Quando vi, já se aproximava das duas. Tornei a retornar ao msn, vi que a interlocutora ainda estava on line, e me bateu uma puta vontade de voltar. Minha fraqueza falou mais alto e eu preferi desligar e ir dormir, não sem antes remoer a seguinte dúvida: será?

Apesar de minha franca timidez em expor o assunto, já que nunca fui lá muito expansivo e extrovertido, a segurança de que pouquíssimos isso lerão me encoraja a ser mais franco.

Quando me deram a notícia de que valia a pena investir, correr atrás, eu não levei muito a sério. Tinha um “será?” muito tênue na minha cabeça pra me fazer romper a inércia.

Contudo, naquela noite, quando eu troquei duas mensagens pelo orkut e vi que a interlocutora estava lá e me perguntava se eu tinha msn, animei. O “será?” robusteceu um pouquinho e se aproximou do “por que não?”. Engatei, com isso, numa conversinha de três horas e um pouquinho, nada demais para o msn, mas de longe o maior tempo em que eu e a cara interlocutora nos falamos. Suficiente pra gente falar de amenidades, pra eu ensair, em resposta, alguns elogios, e pra muitos “uahuhauhahauhau”, “rsssssssssssss”, de coração mesmo, pq a moça é engraçada, mas deliciosamente formal e certinha com o jeito de escrever e se expressar! 

De todo modo, como já adiantei, o que me fica da conversa é um conhecimento mútuo e, pra mim, especialmente a descoberta de um monte de afinidades e coincidências. É aí que mora o problema.

 O aviso que eu tinha recebido não foi lá muito específico e eu tomei, em síntese, como a informação de que eu tinha sido, no mínimo, elogiado. Bem, confesso que pros meus padrões de beleza, a interlocutora contém integralmente o que, do ponto de vista da atração física, me atrai. Tomei, num primeiro momento, o recado como uma massagem do ego.

Depois da conversa, quando eu finalmente repousei o dorso na cama e olhei pro teto, a sensação que me bati a mil por hora, no monte de perguntas que minha cabeça se fazia e passava em revista a todas, sem se prender ou responder a nenhuma, era se aquilo tudo ia resultar num affair de uma noite. Naquela altura do campeonato, valia, efetivamente, a pena. Não é todo dia que alguém que seguramente estaria na sua wishlist te elogia pra outros (se é que foi isso) e fala contigo, sem te ver há uma cara, sei lá, uns 6 meses, com muita receptividade (claro, claro, que eu cogitei a hipótese de ser apenas educação, mas a abertura que eu dei pro encerramento da conversa, não atendida, diga-se de passagem, me fazem crer que não).

O gostinho de toda essa quarta-feira, lá pelas 2:30 da manhã de quinta, era que eu tinha ganhado uma bela ficada. Um ótimo presente do papai Noel, um pouquinho atrasado, mas tudo bem…

O problema (ou a solução, nem eu sei bem) é que eu não sou propriamente adepto dessas ficadas de uma noite, especialmente com uma pessoa absolutamente desconhecida mas também quando se trata de uma conhecida, porque nunca soube lidar com o dayafter e os que se seguiam. Isso é o mote pra entender a mudança.

Na quinta,  acordei radiante, preocupado com mil coisas, fui como  um tiro vender minha força de trabalho a preço de banana (ah, tá bom, não é banana, mas tá perto disso se a gente for compara), ouvi 2.572 lamúrios do colegiado que me acompanha. Mesmo assim, passei o dia feliz da vida, alegrão. Dormi cedo, pq o cansaço bateu, e segui com meus trabalhos – estudo que é bom, nada.

Veio a sexta-feira. E hj, depois de milhões de vezes pensando no mesmo assunto (eu adianto, sou BEM inseguro, às vezes, ou não, não sei…. huahuhuahuahua), eu começo a mudar o meu jeito de encarar as coisas. E aqui, bem aqui, o cerne do perigo.

Ao invés de considerar a ocorrência como apenas um belo começo de ano no quesito pegação, como a maioria dos meus amigos, por exemplo, faria, eu não consigo pensar assim. Ela não é pra mim, de longe, um pedaço de carne de açougue, mais uma beldade fungível, oca como um bambu, mas bela de fisionomia, que posso trocar por outra ainda mais bela e torneada e cada vez mais vazia de significado e de sentido. Não me basta – e nunca bastou – satisfazer o meu desejo físico pura e simplesmente – e olha que ele não falta e é bem intenso -.  Não tem sentido! Tudo isso vai ruir, essas formas durinhas e consistentes ficarão flácidas e murchas – não, silicone, botox & cia ltda. não bastam pra resolver todos os problemas do mundo – e o que vai sobrar? Ah, eu respondo, aquele belo ocado. Essa idéia sempre me fez procurar cada vez mais a compatibilidade de pensamento, a possibilidade de se manter uma conversa. Pode soar tosco e idiota pra muitos, mas ver uma mulher mostrando sua inteligência a torto e a direito é uma coisa linda, única, na minha opinião.

Por esse motivo, fiel às minhas tradições, já nessa sexta, depois de um dia de ego a mil, eu já começo a me perguntar se não era hora de voltar a namorar de novo ou, no mínimo, de estabilizar num relacionamento, de buscar cumplicidade. Eu encerrei um ciclo mas tenho mais um 5 anos pra pastar nessa vida, antes de começar a realizar plenamente meus desejos. Mas ando, mesmo assim, cansado dessa vida sozinha e nômade. Aí, tendo em conta tudo o que aconteceu, eu já começei a me perguntar se não vale a pena investir pra valer na interlocutora. A resposta vem lépida: vale, vale muito.

“Mas, qual a questão, então?”, alguém podia perguntar???

É simples, caríssimo: eu estou planejando uma casa sem conhecer o terreno, sem saber se ele existe. Eu estou preocupado em detalhes extramamente futuros que não têm, contudo, nenhuma concretude. Não se justificam, portanto. Ah, peraí, não se justificam de um ponto de vista racional…. e nesse campo emotivo, se tem uma coisa que eu não sou é racional.

Em resumo singelo: acho que eu estou novamente me apaixonando, porque as compatibilidades aparentam ser muitas. Mas temo, e temo por mim, principalmente, se tudo isso estiver sendo muito precipitado, e o elogio não passar de um comentário retribuidor sem qualquer 2ª intenção. E se a receptividade se encaminhar apenas para o estabelecimento de mais uma amizade bem construída, por causa de tantas compatibilidades e da compreensão mútua, pq, afinal de contas, não somos diferentes em vários pontos. Enfim, e se a paxonite aguda que parece ter me pegado (não, não quero me entergar agora, tão facilmente) mais uma vez se frustrar??? Será que, como da última vez, eu vou precisar de uns três anos e de um choque de contato pra superar?? Ou dessa vez amargo uma década??

E agora, José, o que faremos???