Que diferença de tom com relação ao último post.
Estive com você no final de semana passado.
Não, não ficamos.
Mas ao menos eu matei minhas saudades de você. Em três dias, mantive um convívio fisicamente intenso.
Lembrei-me de como é a textura da sua pele, de quão afilados são seus dedos. Senti o relevo da sua face, o cheiro do seu cabelo.
Ah, como esquecer dos momentos infindáveis em que tive você reclinada em meu ombro, deitada no sofá, enquanto eu acariciava sua mão e seu rosto;
Como olvidar o loiro dos teus cabelos, tão próximos dos meus olhos, à esquerda de meu tronco. Como esquecer dos abraços que lhe dei, do quanto me aprouve enlaçar-lhe, de como pude lhe apertar, a ponto de escutar os batimentos do seu coração.
Como esquecerde quando você me estendia a mão, de como eu brinquei com você, satisfazendo plenamente o que eu desejava, sem me ocupar do que pareceria aos olhos dos demais.
Como apagar de minhas memórias o teu ciúme bobo das mensagens do meu celular, sem que você soubesse quão profundo ali pisava, ou mesmo de quando você retribuiu o agrado, afagando a minha face, olhando pra ela. Só me pergunto, porque não correspondi, naquele momento, aos seus olhares.
Como esquecer de você após ler a sua carta. Como fazer minha admiração cessar o seu crescimento face a clareza com que você conseguiu transmitir suas idéias, atendendo aos rigores formais da escrita mas veiculando uma carga emocional tão profunda, verdadeira e universalizável que me comoveu por completo, a ponto de vencer meus embaraços e dizer que a amo, afirmação que hj não se reveste de grande valor, é verdade, mas que foi proferida com uma veracidade de cujo conhecimento só o emissor tomou consciência. E vem com a veracidade ímpar de um sentimento que hoje, nesse minuto (18:25), é essencialmente neutro, amorfo, indefrinido, porque varia entre o fraternal e o puro desejo.
Interlocutora, sigo cada vez mais seguindo a fórmula de Camões a Dinamene:
“Teu, como cativo”
Medina
Escrito por Medina