Quais influxos me conduzem nessa amena noite de inverno no Oeste?
Preponderam duas sensações.
A primeira se resume ao medo com as implicações da decisão de voltar, agravadas pela percepção de que devo retornar literalmente para a casa de meus pais. Como os desdobramentos podem ser variegados, como a solidão pode ser algo de peso, especialmente no começo, tendo a me preocupar. Temo remoer e lamuriar, temo ver a certeza perder-se em meio ao desespero, especialmente depois dos primeiros tombos.
A segunda marca se refere ao dilema mais comezinho, com seus dois ou três nuances. O primeiro postulado tem algo de gutural, de animalesco. Quero e preciso me mover, me superar, ultrapassar os limites e dar vazão aos desejos que me dominam o corpo, sorver dos meus privilégios de macho. Mas ele tem seu contraponto no último titubeio. A solução me parece ser evitar seu prolongamento e repetir as tentativas, tentar de fato o bote, para errar e errar, até obter sucesso, ainda que o alvo não seja do perfil que me agrada. Os outros dois têm nome, feminino por sinal, e me consternam e confundem pela gentileza e atenção evidentemente extemporâneos. É curioso, porque vêm no momento menos apropriado, justamente quando os sentimentos que nutria pelas duas sofreram baixas históricas. A primeira experimentou minha súbita ausência ao longo de seis meses e, ao que me parece, voltou a ser delicada e interessada, como eu só vira no longínquo dezembro-07, janeiro-08 , apenas porque, tendo começado a namorar, (1)teme meu permanente afastamento, mesmo porque encontro dificuldades para conter um inesperado tsunami de ciúme. (2)Ou será a pura saudade de quem se apresentava como um amigo confiável? Acho que as duas se combinam. Com relação à outra, a mudança radical se processou há um mês, durante duas semanas. Passei da pessoa mais interessada do mundo para uma que não se sentia confortável em conversar com ela. Optei, então, pelo afastamento puro e simples. Por responder msg e não enviar, para tentar conduzir a relação ao status dos primórdios da amizade. Quando o faço, ela volta a ser simpática. O que concluir? 1) a Fernanda estava certa? 2) ela entendeu o recado e, crendo termos restabelecido a amizade, acredita poder agir com liberdade – e dizer que sente saudades – sem se preocupar com o fato d’eu pensar que ela indica ir além? Acho que a segunda assertiva, mas as certezas só virão depois do encontro face a face. Além do mais, tenho uma conversa pendente, ainda sou credor de uma explicação sobre um pedido de desculpas. Veremos o que virá.
Eis o quadro, ainda que imperfeito.
Lá fora, algo próximo do psytrance ribomba pelos espigões da cidade. As raves atingiram o interior, mas delas não participarei. Ao menos não ainda.
C. Medina.