Just a little unwell

Julho 27, 2009

1- Como eu me sinto agora:

A mesma sensação que me pegou durante a semana, na quinta. Pq? Observei um casal de namorados andando juntos, abraçados. Ele bem feio para ela.

Veio à minha mente, mais uma vez, que esse é um mundo assaz distante pra mim. Veio a dúvida sobre se um dia ele será meu, ou se eu a ele pertencerei. Tremi diante da possibilidade do não, mas também tremi ao pensar o tanto de coisa que eu preciso mudar e aprender a lidar, aprender a lidar com os outros, para chegar a tanto. Puxa, é muita coisa, é muita coisa a ser alterada, modificada, aprimorada. Eu sou bobo, bobo de tudo. Sou quase uma criança. Não presto atenção pras coisas, pros outros, muito menos pras meninas. Não tenho a menor percepção de como me portar. De como lidar com as intimidades. Me arrepia a ideia do quanto preciso fazer. Há tanto, tanto pela frente. Simplesmente preciso desenvolver um campo inteiro. E sinto que esse é o tempo de fazê-lo. Que eu preciso me tornar experimentado, embora eu questione o porquê de fazê-lo, já que não me parece tentador esse comportamento pegador.

Ontem disse pra D que a barreira que há entre as relações deles 3 comigo e de todos juntos precisa existir. As coisas que eles dizem calam fundo em mim. Me machucam. Me chocam. Me confundem. Me consternam. Não sei o que dizer, o que comentar, não é confortável. Nem sei como me portar, do que rir. Sou absolutamente falso e isso deve ser visível, exatamente o que eu não quero. Visibilidade dos problemas traz consigo dúvidas e perguntas. E nestas mora o problema. Eu disse: é um mundo que não me pertence. E saber dele, ter dimensão de como ele é, me incomoda profundamente. Simplesmente me incomoda. Não é que eu faça juízos de valor, que ache que eles deviam ser diferentes. É difícil explicar, talvez haja uma ponta de vergonha por não ter o que dizer realmente, talvez haja vergonha por reputar isso um assunto que não me diga respeito – mais até, um assunto que não devia ser debatido na frente de gente descalça – e assim eu me sinta -, tudo jungido a um tanto de pudicidade.

2- Como me sentia pela manhã:

Feliz, mas pesaroso.

Feliz porque D veio pra cá, passou uma temporada conosco. Ela nos diverte e dá liga pra casa, azeita a minha interação com R. Foi divertido e as coisas têm caminhado de volta para o status de ligação que havia antes. As barreiras que foram construídas vão caindo progressivamente e isso é muito positivo.

Feliz porque ela acentuou mais uma vez o quanto eu sou importante pra ela e pra L. Isso é gratificante e reconfortante, porque elas são muito importantes pra mim. Hoje, embora D me divirta muito, L é muito especial pra mim e uma semana longe dela nos trouxeram muitas saudades. Além de haver muita simpatia com ela, é nela que eu expresso o meu excesso de carinho, acumulado aqui desde muito tempo.

Feliz porque ela quer ouvir porque eu quero sair e como poderiam se organizar pra eu ficar. Isso é gratificante: revela que eu sou benquisto.

Feliz porque eu tenho administrado bem meus sentimentos. Ela me dá tesão, mas como AH também dá, nada mais. Ela está onita, em boa forma, é desejável. Devo ainda olhar de outra forma, mas não habita pedestais, não é a pessoa especial que já foi.

Triste, porque ela deixou claro que não há a menor chance de algo entre nós. Mas essa tristeza me fortalece: ela disse de uma forma que soou em mim como um quê de quem pode, de quem manda, como se estivesse se achando. Tanto que ela disse que infelizmente era o jeito dela, morder e assoprar e sabia que eu podia interpretar de uma forma diferente. Disse, então, a maior barbaridade de todas: reclamei que me incomodava não poder ser tão carinhoso quanto antes. Aí ela disse que pra ela também, mas, usando um exemplo tosco, disse que não podia ser diferente, porque se não seria como se B fizesse carinho em P, frisando que era tosco porque eu tinha bonsenso. Nossa, fiquei muito puto, isso entalou. Eu não sou P, nem me pareço de qualquer forma. E ela não pode me tratar assim. Ela não pode negar os avanços que eu tenho feito pra reduzir meu interesse por ela, pra administrar meus sentimentos. Eu estou quase superando essa estória toda! Estou a um passo disso! Ela não pode me tratar assim. E essa petulância toda? Onde já se viu, que absurdo! Eu nunca a tratei assim. E ela não admite que os pólos já foram diferentes. Eu devia ter me lembrado que dela ouvi uma vez que depois que as coisas ficaram fáceis ela perdeu o interesse. Devia ter internalizado isso pra aproveitar a onda dela. Pequei por não tê-lo feito, mas preciso passar adiante. E tenho passado. Falei com ela tudo o que eu disse pra me libertar de qualquer pretensão a ela, pra me livrar de remoer tudo. Acho que o fiz com competência. Acho que consegui. Ela devia tê-lo levado em conta. O fato é que ela está se sentindo demais. Está passando do ponto. Precisa de umas cortadas, precisa ser levada de volta ao seu lugar.

É nisso que eu devo trabalhar. Ser menos bom e mais neutro. Mais indiferente. Menos interessado. Sem querer tirar uma casca… Será isso?

De tudo, a conclusão de que:

1- preciso lidar com essa inércia e esse déficit histórico.

2- preciso tratar D com menos interesse e mais agressividade, pra que ela sinta a minha falta. Ela não pode dormir no meu quarto todos os dias mais.

3- preciso sair da convivência intensa deles. Meus ciúmes, minha inadequação não tolerarão o “modus operandi” deles. Talvez voltar, talvez mudar aqui mesmo. J e E podem ser uma opção barata e viável.

Uma nova semana desponta em algumas horas. Mais uma vez terei a chance de mudar, a cada dia, a cada hora. Posso criar o desejo de tudo alterar, posso transformar a ideia em ação. Tudo depende de mim. Eu preciso agir. Preciso ser o senhor da minha vida, o agente do meu futuro, do meu destino.

Preciso ser o capitão da minha alma. De novo e pra sempre.

Minhas lembranças num momento profundamente reflexivo,

Medina.


Exilado – II

Julho 24, 2009

Profundamente tocado, vendo ali uma descrição precisa de muito do que me assalta, passei a noite reflexivo. E ao me sentir vergastado por adotar uma posição, embora tola e negadora do meu real desejo, aprofundei a sensação de inadequação para o dia seguinte.

Veiculei, então, reclamação para quem, supunha, fosse me compreender e prolongar a discussão, já que passara havia poucos dias por uma fase reflexiva. Usei os seguintes termos:

Sabe quando você se sente deslocado, transmudado, transplantado para um ambiente em que não há semelhança, não há sintonia, não há identidade com os outros? Quando todos parecem girar numa rotação diferente da sua, quando você parece ser o último dos seres, valorizando o que os demais desprezam, execram ou ironizam, a ponto de você questionar as próprias escolhas e se sentir inferior ou infantil, tolo ou imaturo? Sabe quando você está cansado e experimentado demais pra ter esperanças de que o mundo mude pro seu jeito? Quando você sente vontade de ser tragado pelo chão ou de sumir pra sempre, deixar tudo e todos pra trás, saturado de tanta inadequação? Quando você sente que o presente conduz inevitavelmente à perplexidade, porque o futuro faz cada vez menos sentido? Você sabe?

Benvinda ao meu mundo.

Exilado – I

Julho 24, 2009

Tudo começou com um texto de Luiz Felipe Pondé, para a Folha de S. Paulo de segunda-feira, 20 de julho de 2009.
Entitulado “Catherine”, em referência à personagem d’O morro dos ventos uivantes, o artigo discorreu sobre a alma romântica. Gostaria de transcrevê-lo, mas não o faço em respeito ao autor. Em síntese, descreveu como eu me sinto.
A alma romântica habitando um corpo moderno enfrentará o mundo devastado pela arrogância idiota dos modernos, pela objetividade morta da ciência, pelo niilismo do dinheiro, pela certeza cética da inutilidade da verdade. Em uma palavra, será uma exilada.
Não esqueça, caro leitor, que o romântico não é propriamente um idiota nostálgico, o romântico é um sobrevivente, sente-se como uma espécie caçada, um mutante que já nasceu num habitat hostil.
Quem se sabe desde o inicio derrotado, detém uma forma de poder invisível que o torna perigoso, justamente porque não combate pela vitória, mas sim porque sua natureza é não ter futuro.
Resistir é nesta alma uma primeira natureza. Talvez combatam porque esta seja a natureza de quem já nasceu num mundo que não é seu ou porque não conheça outra forma de se comportar num mundo onde há muitas esperanças, mas não para eles. Todo cuidado é pouco diante de quem não tem nenhuma expectativa.
O desafio para um romântico é aprender a lidar com suas sensações num mundo em que elas não significam nada. Mas, a chave é perceber que nos momentos em que elas se tornam incontroláveis, ele deve correr para a escuridão, porque românticos são animais da lua e não do sol, se alimentam da sombra.


Tenho desejos maiores

Julho 10, 2009

É curioso o meu momento.
Houve o meu aniversário. D e A vieram. E foi muito difícil lidar com as duas. A veio com um papinho pra L de q me queria mas eu não dava bola e deu umas indiretas de ciúme…
Mas não quero falar sobre isso, relatar o que passou.
Só quero fixar no agora.
E o agora é um sentimento de que D mexe comigo, bastante. A desejo fortemente. Mas ela não dá mais brecha, não das que eu possa ver. Embora eu não esteja mais bobo, o que é ótimo, eu não consigo voltar ao desinteresse de antes. Talvez – e eu assim espero – que seja uma questão de tempo pra eu regressar àquele patamar. Mas enquanto eu não chego, é difícil, muito difícil. Talvez a culpa seja de toda essa carência acumulada. Não importa, o que importa é superar. Mesmo porque, depois da cirurgia, ela vai voltar com a auto-estima elevada, como bem predisse B. E se ela der vazão à lascívia acumulada sob os meus olhos, o que pode bem ocorrer, vai ser doloroso.
Ah, queria ter um botão de liga-desliga na minha cabeça, uma penseira, e tirar isso daqui. Me livrar disso. Eu tenho tanto a crescer, não posso ficar parado aqui.
Tenho desejos maiores,
eu quero beijos intermináveis,
até que os olhos mudem de cor.


Curiosidades numa madrugada

Julho 6, 2009

É curioso pensar no frescor da madurga, no doce e confidente silêncio desta madrugada marcada por uma calma brisa.

É curioso constatar que esse frescor é o mesmo que eu sinto aqui ou no interior, ao contrário do sol, que já pensei ter sido essencialmente diferente entre cada um desses pontos. E é igualmente curioso pensar que isso me impele a querer voltar – ou a me fazer acreditar que o retorno será positivo – para me propiciar aproveitar outras madrugadas como essa, a la “bom vivant”.

É curioso pensar que eu ainda desejo e, mesmo face a suaves mas claras demonstrações de que eu não tenho chances de sucesso nessa empreitada, continuo a desejar.

É curioso perceber que essa persistência é fonte de culpa, raiva e insatisfação, comigo por persistir nalgo que parece com um erro e por ter perdido a chance quando eu tive, mas, em tênue intensidade, com a outra por não se submeter ao meu desígnio presente.

É curioso perceber que o meu silêncio e a minha meticulosidade ainda se mostram presentes e identificáveis para terceiros. E é igualmente curioso perceber o quanto me perturba os desdobramentos que a arte me mostra para a continuidade desse “standart” de conduta: um futuro parco, miserável no que toca a alegrias ou sucessos no campo mais frágil: os relacionamentos interpesssoais.

É curioso perceber e se preocupar com isso mesmo crendo ter a certeza de que eu já mudei, de que eu já  não sou aquele tipo puro, de que eu tenho consciência do problema e alguma disposição para superá-lo, ao menos com medo das consequências. A explicação não espanta: talvez eu me sinta mais próximo do tipo puro do que gostaria estar. Talvez ainda haja muito por mudar e superar. Talvez ainda haja muito o que aprender, satisfazer e expressar. E talvez a proximidade de um aniversário torne a marcar a percepção de que cada vez mais eu tenho menos tempo para tudo fazer, aprender e desenvolver.

Enfim, curiosas reflexões por conta do filme “A vida dos outros”, em que, infelizmente, dormi por metade.

Hasta!

C. Medina


Mas, filhão,

Julho 1, 2009

e não é que INÉRCIA perdeu os “is”?