chance malbaratada?

7 meses passados.

de novo? muito. de relevo? pouco.

crises, mudança, alegria, crises, estabilização (será?)

hoje, como ontem, só uma sensação: relutância frente ao novo.

a vida não pára, de fato não pára.

as mudanças que tanto ansiei, a última barreira a cair, tudo me vem à mão, de bandeja.

eu chego ao umbral, estou a um passo de cruzá-lo, ela vem em minha direção.

ela se achegou, abracei,  me beijou, uma vez, duas…

as luzes piscam

naquele átimo de segundo, em que se fez claridade o que era e tornou a ser sombra, um raio me perspassa

o que ele me traz? dúvidas e soberba, soberba e dúvidas.

eu penso q não quero, que não gosto dela, que ela namorou O, que não vai ser assim, que eu posso mais, alguém de quem eu goste ou por quem me interesse mais, por quem me dê mais tesão (q incongruência! só agora lembro q ela já foi causa de vigorosa ereção!)

que curioso.

resoluto, viro o rosto, abraço e giro, encaminhando-a para outros amigos dela.

as luzes piscam novamente e vejo o japonês tomá-la pela mão. bom proveito, lobos, fartem-se.

acuado, eu saio, vou para outro ambiente. reabasteço o copo e perto da porta me sento num sofá de couro vermelho. aqui não piscam luzes e eu sou muito visível. confio q o fluxo de pessoas será cortina e bebo, bebo, quero ficar bêbado. esquecer, me transportar de lá.

repito minhas palavras, tento me convencer de que eu não vou ficar com ela só por ficar, que não sou assim, não eu.

(o eu de quatorze anos me mataria se me visse, é certo).

voltei pra casa com esse pensamento. cruzei o mundo fixo nisso. de volta, ela está fria, seca. foram dias com isso na cabeça, o único tema que preenchia meu dia. fiquei indignado: ela não sabe lidar com a rejeição como eu, nisso tenho traquejo. eu não faria assim, não daria o gostinho de saber q eu me afetei com o acontecido. mas, enfim…

Aí passou.

semanas depois, o uísque, meio litro, em 2, em uma sentada.

relatei.

levei puxão de orelha. em síntese, estou escolhendo demais, estou perdendo uma oportunidade. “da próxima vez, por favor, lembra de mim e pense no que está fazendo. ou melhor, não pense e aja”.

aí veio a dúvida. ele acertou, sem saber, a questão da soberba, da escolha.

ele tem razão. é uma chance d’eu ter o q qro, experiência, necessária. é instrumento, pros dois, não é fim. pq não, pq não? q bobeada… q desperdício…

mas eu insisto, pra mim ainda é especial, ainda não é banalizado, por isso a importância, a tola importância, a antiquada importância, a antiquada compostura. e me pergunto, qual a razão da tantos “dedos”?

o medo. sempre ele. o medo.

o medo de ser comparado, de errar, de ser falado, de ser questionado, de levantar dúvidas e suspeitas.

mas veja, a cama está armada. pra quem ela pode falar, os q interessam, de tudo sabem e a tudo entenderão, em silêncio.

mas msm assim, padeço.

e ela novamente está dócil, louca pra saber da vida amorosa… (mal sabe ela! que vida amorosa? vc achou alguma? pq eu nada vejo…)

aí q mora o problem, a dúvida. deveria ficar?

de um lado racional, dito aqui, bem pensado, claro q sim. experiência, compadre, experiência q vc está disposto a comprar, a preço de nada. nem mesmo o temível constrangimento de abordar, de puxar assunto com uma desconhecida, a palhaçada de criar um vínculo, nada, nada, nada.

e não se  iluda. a pantomima de dizer que tem que gostar é ilusória: qndo eu gosto, ou quero, me embanano todo, me constranjo todo, e boto os pés pelas mãos. inviabilizo qq abordagem. me conheço. ou seja, o gostar/querer conduz ao resultado oposto.

mas o diabo, o diabo são as luzes piscando, induzindo a alternância, instigando a gente a romper com o que se espera, a mudar o script e a comutar os selinhos em beijos na face, o amasso em abraço e a girá-la, conduzindo-a ao japonês. a negar, a refugar, a se esconder, a não sair da cálida zona de conforto, quase o regresso ao útero, de onde só a fórceps saí.

Não há conclusão, não resultam certezas. Só as perguntas. Até quando eu vou resistir? Até quando desejarei chances e, diante delas, darei um passo para trás, repudiando o umbral? Errei ou acertei? Até que ponto é válido o argumento de que no fundo só estou me resguardando, logo eu que sou tão impetuoso em outros campos,  e em que medida eu estou só preso a uma fantasia ignóbil e infantilizante?

Hasta.

C. Medina.

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