A passagem de ano, assim como o Natal e outras tantas datas de comemoração, em nada me afetam. O sol não nascerá mais ou menos amarelo porque um novo ano, na nossa contagem, começa.
Contudo, não consigo me manter imune às incontáveis referências de passagem e encerramento. E, nessa sensação, impossível não traças um breve balanço desse ano.
O dado mais relevante, de muito longe, foi a superação de um temor tão antigo. Mostrando o que eu já supunha, mas não me dava por certo, fiquei com uma menina. De fato, aquela incongruência que já tanto tempo se arrastara encontrou seu final. Os tantos anos passados sem conseguir fazê-lo, sem vencer a timidez, o temor de rejeição, o medo de não me portar incisivamente, tudo isso foi por água [ou álcool, pra ser mais exato] embora. E, com ele, as dúvidas que tantas vezes sufoquei, sobre se na prática eu repetiria as minhas preferências da estética.
O “affair” foi curto, porém tórrido. Lamento por seu fim, culpo-meele, pela inexperiência, mas meu saldo é o de que fiz o que podia fazer. Acima de tudo, e de todos os erros e senões, provei-me homem, senti-me inteiro. Consegui cumprir com meu papel de macho: soube provocá-la, excitá-la e satisfazê-la. Comi como ela merecia ser comida, se é que o papel do homem é o de quem come. O tesão foi tanto que gozar não foi suficiente para me manter “desmobilizar”. Desempenhei com ela um papel de amante muito superior ao que trilhei com as prostitutas.
É pena que o carinho dela não mais é acessível, que eu não vou ter mais aqueles abraços, aquela carinha tão linda. Lamento por não mais ter aquela ansiedade pela proximidade de sua chegada, por fingir que não me preocupava com aquele atraso regulamentar, por não mais abraçá-la na soleira da sala, nem por vê-la fumando aquele primeiro cigarrinho na área de serviço.
É pena também que ela não saiba por tudo o que ela representou pra mim, uma superação de 19/20 anos de dúvidas e angústias. Mas pra sanidade da minha relação com ela, nem todos os detalhes precisam ser ditos.
Deixo, porém, meu agradecimento sincero a ela. Pelo apoio enquanto éramos só amigos, por todo o carinho no curto espaço de tempo em que fomos ficantes, pelo peso que ajudou a tirar de mim.
E ao ano que se encerra, a certeza de que nunca será esquecido. Ao que se inicia, a esperança, com uma ponta de certeza, de que muitos progressos podem ser feitos.
Hasta!
C. Medina.