Just a little unwell

Julho 27, 2009

1- Como eu me sinto agora:

A mesma sensação que me pegou durante a semana, na quinta. Pq? Observei um casal de namorados andando juntos, abraçados. Ele bem feio para ela.

Veio à minha mente, mais uma vez, que esse é um mundo assaz distante pra mim. Veio a dúvida sobre se um dia ele será meu, ou se eu a ele pertencerei. Tremi diante da possibilidade do não, mas também tremi ao pensar o tanto de coisa que eu preciso mudar e aprender a lidar, aprender a lidar com os outros, para chegar a tanto. Puxa, é muita coisa, é muita coisa a ser alterada, modificada, aprimorada. Eu sou bobo, bobo de tudo. Sou quase uma criança. Não presto atenção pras coisas, pros outros, muito menos pras meninas. Não tenho a menor percepção de como me portar. De como lidar com as intimidades. Me arrepia a ideia do quanto preciso fazer. Há tanto, tanto pela frente. Simplesmente preciso desenvolver um campo inteiro. E sinto que esse é o tempo de fazê-lo. Que eu preciso me tornar experimentado, embora eu questione o porquê de fazê-lo, já que não me parece tentador esse comportamento pegador.

Ontem disse pra D que a barreira que há entre as relações deles 3 comigo e de todos juntos precisa existir. As coisas que eles dizem calam fundo em mim. Me machucam. Me chocam. Me confundem. Me consternam. Não sei o que dizer, o que comentar, não é confortável. Nem sei como me portar, do que rir. Sou absolutamente falso e isso deve ser visível, exatamente o que eu não quero. Visibilidade dos problemas traz consigo dúvidas e perguntas. E nestas mora o problema. Eu disse: é um mundo que não me pertence. E saber dele, ter dimensão de como ele é, me incomoda profundamente. Simplesmente me incomoda. Não é que eu faça juízos de valor, que ache que eles deviam ser diferentes. É difícil explicar, talvez haja uma ponta de vergonha por não ter o que dizer realmente, talvez haja vergonha por reputar isso um assunto que não me diga respeito – mais até, um assunto que não devia ser debatido na frente de gente descalça – e assim eu me sinta -, tudo jungido a um tanto de pudicidade.

2- Como me sentia pela manhã:

Feliz, mas pesaroso.

Feliz porque D veio pra cá, passou uma temporada conosco. Ela nos diverte e dá liga pra casa, azeita a minha interação com R. Foi divertido e as coisas têm caminhado de volta para o status de ligação que havia antes. As barreiras que foram construídas vão caindo progressivamente e isso é muito positivo.

Feliz porque ela acentuou mais uma vez o quanto eu sou importante pra ela e pra L. Isso é gratificante e reconfortante, porque elas são muito importantes pra mim. Hoje, embora D me divirta muito, L é muito especial pra mim e uma semana longe dela nos trouxeram muitas saudades. Além de haver muita simpatia com ela, é nela que eu expresso o meu excesso de carinho, acumulado aqui desde muito tempo.

Feliz porque ela quer ouvir porque eu quero sair e como poderiam se organizar pra eu ficar. Isso é gratificante: revela que eu sou benquisto.

Feliz porque eu tenho administrado bem meus sentimentos. Ela me dá tesão, mas como AH também dá, nada mais. Ela está onita, em boa forma, é desejável. Devo ainda olhar de outra forma, mas não habita pedestais, não é a pessoa especial que já foi.

Triste, porque ela deixou claro que não há a menor chance de algo entre nós. Mas essa tristeza me fortalece: ela disse de uma forma que soou em mim como um quê de quem pode, de quem manda, como se estivesse se achando. Tanto que ela disse que infelizmente era o jeito dela, morder e assoprar e sabia que eu podia interpretar de uma forma diferente. Disse, então, a maior barbaridade de todas: reclamei que me incomodava não poder ser tão carinhoso quanto antes. Aí ela disse que pra ela também, mas, usando um exemplo tosco, disse que não podia ser diferente, porque se não seria como se B fizesse carinho em P, frisando que era tosco porque eu tinha bonsenso. Nossa, fiquei muito puto, isso entalou. Eu não sou P, nem me pareço de qualquer forma. E ela não pode me tratar assim. Ela não pode negar os avanços que eu tenho feito pra reduzir meu interesse por ela, pra administrar meus sentimentos. Eu estou quase superando essa estória toda! Estou a um passo disso! Ela não pode me tratar assim. E essa petulância toda? Onde já se viu, que absurdo! Eu nunca a tratei assim. E ela não admite que os pólos já foram diferentes. Eu devia ter me lembrado que dela ouvi uma vez que depois que as coisas ficaram fáceis ela perdeu o interesse. Devia ter internalizado isso pra aproveitar a onda dela. Pequei por não tê-lo feito, mas preciso passar adiante. E tenho passado. Falei com ela tudo o que eu disse pra me libertar de qualquer pretensão a ela, pra me livrar de remoer tudo. Acho que o fiz com competência. Acho que consegui. Ela devia tê-lo levado em conta. O fato é que ela está se sentindo demais. Está passando do ponto. Precisa de umas cortadas, precisa ser levada de volta ao seu lugar.

É nisso que eu devo trabalhar. Ser menos bom e mais neutro. Mais indiferente. Menos interessado. Sem querer tirar uma casca… Será isso?

De tudo, a conclusão de que:

1- preciso lidar com essa inércia e esse déficit histórico.

2- preciso tratar D com menos interesse e mais agressividade, pra que ela sinta a minha falta. Ela não pode dormir no meu quarto todos os dias mais.

3- preciso sair da convivência intensa deles. Meus ciúmes, minha inadequação não tolerarão o “modus operandi” deles. Talvez voltar, talvez mudar aqui mesmo. J e E podem ser uma opção barata e viável.

Uma nova semana desponta em algumas horas. Mais uma vez terei a chance de mudar, a cada dia, a cada hora. Posso criar o desejo de tudo alterar, posso transformar a ideia em ação. Tudo depende de mim. Eu preciso agir. Preciso ser o senhor da minha vida, o agente do meu futuro, do meu destino.

Preciso ser o capitão da minha alma. De novo e pra sempre.

Minhas lembranças num momento profundamente reflexivo,

Medina.


Exilado – II

Julho 24, 2009

Profundamente tocado, vendo ali uma descrição precisa de muito do que me assalta, passei a noite reflexivo. E ao me sentir vergastado por adotar uma posição, embora tola e negadora do meu real desejo, aprofundei a sensação de inadequação para o dia seguinte.

Veiculei, então, reclamação para quem, supunha, fosse me compreender e prolongar a discussão, já que passara havia poucos dias por uma fase reflexiva. Usei os seguintes termos:

Sabe quando você se sente deslocado, transmudado, transplantado para um ambiente em que não há semelhança, não há sintonia, não há identidade com os outros? Quando todos parecem girar numa rotação diferente da sua, quando você parece ser o último dos seres, valorizando o que os demais desprezam, execram ou ironizam, a ponto de você questionar as próprias escolhas e se sentir inferior ou infantil, tolo ou imaturo? Sabe quando você está cansado e experimentado demais pra ter esperanças de que o mundo mude pro seu jeito? Quando você sente vontade de ser tragado pelo chão ou de sumir pra sempre, deixar tudo e todos pra trás, saturado de tanta inadequação? Quando você sente que o presente conduz inevitavelmente à perplexidade, porque o futuro faz cada vez menos sentido? Você sabe?

Benvinda ao meu mundo.

Exilado – I

Julho 24, 2009

Tudo começou com um texto de Luiz Felipe Pondé, para a Folha de S. Paulo de segunda-feira, 20 de julho de 2009.
Entitulado “Catherine”, em referência à personagem d’O morro dos ventos uivantes, o artigo discorreu sobre a alma romântica. Gostaria de transcrevê-lo, mas não o faço em respeito ao autor. Em síntese, descreveu como eu me sinto.
A alma romântica habitando um corpo moderno enfrentará o mundo devastado pela arrogância idiota dos modernos, pela objetividade morta da ciência, pelo niilismo do dinheiro, pela certeza cética da inutilidade da verdade. Em uma palavra, será uma exilada.
Não esqueça, caro leitor, que o romântico não é propriamente um idiota nostálgico, o romântico é um sobrevivente, sente-se como uma espécie caçada, um mutante que já nasceu num habitat hostil.
Quem se sabe desde o inicio derrotado, detém uma forma de poder invisível que o torna perigoso, justamente porque não combate pela vitória, mas sim porque sua natureza é não ter futuro.
Resistir é nesta alma uma primeira natureza. Talvez combatam porque esta seja a natureza de quem já nasceu num mundo que não é seu ou porque não conheça outra forma de se comportar num mundo onde há muitas esperanças, mas não para eles. Todo cuidado é pouco diante de quem não tem nenhuma expectativa.
O desafio para um romântico é aprender a lidar com suas sensações num mundo em que elas não significam nada. Mas, a chave é perceber que nos momentos em que elas se tornam incontroláveis, ele deve correr para a escuridão, porque românticos são animais da lua e não do sol, se alimentam da sombra.


em 15 minutos

Setembro 4, 2008

Eu me dou 15 minutos pra escrever tudo o que me vem na cabeça nesse momento:

o sentimento verdadeiro:

Semana 1 – putaquepariu, então o riquinho bobo ficou com ela?? ou só investiu pesado (e com certeza fundado em alguma receptividade)??

Semana 2 – a pessoa some

Semana 3 – a pessoa some; a pessoa não responde minhas mensagens sem um delay de pelo menos uns 2 dias; descubro que a pessoa me bloqueou no msn ou me excluiu, de duas uma; a pessoa foi numa festa em que eu insisti pra ela ir achando, na verdade, que ela odiaria, e ela adora e ainda vem com uma foto de um tal “Thiago Tender”; a pessoa não fica off quando entra o rico-burro e, possivelmente, fica conversando com ele até a alta madrugada.

O que tanto me incomoda: putaquepariu, tudo começou com uma boa proposta, uma boa oportunidade de eu finalmente engatar no campo amoroso, firmando um relacionamento com uma pessoa, bonita, boa de corpo, inteligente, que sabe ser divertida (em alguns momentos, é verdade), mas absurdamente parecida comigo. Pô, tinha tanta coisa a ver e a família dela é um doce (até onde eu conheço). Mais, era o tipo de mulher certa pra me fazer engatar e subir na vida, tal qual a Michelle Pfeier pro Tony Montana. Era o golpe perfeito: o emergente que casa com a quatrocentona e vai trabalhar e produzir como um jegue pra manter um padrão de vida da alta.

O contra-argumento: Não é a primeira vez em q vc peleja pra falar com ela e não consegue. Quando ela tá fora de casa, é a mesma coisa. Agora, na casa dos pais, faz ainda mais sentido a incomunicabilidade, já que ela pode ta com os pais ou revendo amigos de escola. Ter gostado da festa (i n t e r m e d) não significa que ela deu pa carai ou ficou com meio mundo lá. Nem que ela despirocou de vez. Nem que ela me esqueceu completamente, nada disso… A exclusão do msn é um caso sério a ser passado a limpo, mas pode ter sido ocasional. Eu mantinha só meu primeiro nome lá e isso pode ter sido fatal….

Quanto ao meu medo da perda ou da repetição da falha da tentativa de engatar um namoro, só posso dizer, de um ponto-de-vista racional, que ele tem seus fundamentos mas parece infundado. Não é possível que ela tenha despirocado e pelo jeito dela e pela manifestai ndisposição a relacionamentos (q acho esconde uma grande disposição, se ela for – como parece – assemelhada a mim), a coisa não engatou num final de semana. ou seja, ainda não perdi a corrida.

Mas isso é algo a ser trabalhado. Embora meus problemas com as mulheres me aproximem muito do tal Mersault, eu não posso ficar nessa dependência ou vinculado a isso. Falhas, investidas frustradas são coisas absolutamente naurais e que estão dentro da margem do sistema. Embora o desejo por um relacionamento 100% perfeito seja compreensível, até em função da inexperiência, isso é uma coisa que não vai acontecer. Eu mesmo vivo dizendo que a perfeição não é humana, não posso ser incoerente nesse aspecto, por mais que seja duro e triste. A minha redenção nesse campo não vai acontecer de um modo mágico e místico. Então, eu preciso me conformar e agir mais como um jogador do que como uma criança que olha atônita para o espetáculo. E saber aceitar que “amores são como aves de verão” e que se eu não tentar conhecer mais gente, naum vou ter experiências que me serão necessárias um dia. Ademais, essa batalha só termina com a morte e essa ta longe. Ainda que outro relacionamento comece, a gente pode sempre sabotar ou esperar pra ficar com a sobra quando tudo quebra. Agora, ficar falando sem parar, ficar puto, perder o sono, ficar mal humorado, se desarranjar por completo por causa disso, ah, nada vale a pena. Primeiro por que não ajuda em nada, não melhora nada. Eu não tenho o dom de mudar mentes que porventura se aguçasse com esse auto-flagelo. Além de tudo, em segundo lugar, porque me fragiliza e me irrita profundamente, alterando um equilíbrio que já é dos mais delicados. E isso, eu não mereço. Finalmente, num terceiro ponto, pq como bem disse a marlene, naum valeria a pena: eu preciso conhecer pessoas e me relacionar pra me sentir melhor e pra ser feliz, naum pra me destruir. O custo seria maior que o benefício. E outra, cá entre nós, seria doentio.

Então, pra concluir essa merda, vamos tentar relaxar e sermos mais frios. Se não melhora em nada o desespero, nao adianta nada embarcar nele. O melhor é manter a cabeça no lugar e se focar no que interessa, nas grandes prioridades. Esse fogo dela em festas vai se curar logo, logo. E aí, na crise, quem liga sou eu. No fds dela gripada, quem vai estar na casa dos avós sou eu. O ombro em que ela vai dormir sera o meu. Deixa estar, deixa estar. Mas ao lado disso, é imperioso que eu não abandone meus planos de baladar aqui em sp e de começar a ficar a esmo nas festas. Isso vai de dar know-how e a segurança que eu preciso, até pra dar um bote certeiro no alvo final. E olhe que esse caminho de mais festas dela só a faz coincidir com a minha trajetória, o que, em tese, me faz mais próximo ainda dela. Olha q beleza, até q a situação não está tão mal assim!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Uma palavra: calma – outra: frieza – e  vamo que vamo

Devo ter pego uns 20 min, mas valeu a pena


Não nasci para servir

Março 8, 2008

Caríssimos,

Só uma nota sobre um acontecimento da semana. O tema: trabalho.

No grupo em que trabalho, n’outra unidade, uma discussão culminou com a saída de uma grande conhecida nossa do cargo de chefia. Dizia ela, após o ocorrido, que nunca mais voltaria para qualquer gerência. Uma vaga numa outra seção, porém, fez os planos mudarem e a entrevista ocorreu na semana que se encerrou.

Era claro e inequívoco que ela não havia superado ainda o anterior desligamento, tanto que de cada 5 palavras que ela dizia uma era o nome do superior dela que rompera mais de uma década de relacionamento profissional com muita brutalidade.

Eu lhe perguntava porque ela não havia posto a boca no trombone e espalhado pra toda a filial o que ocorrera, não para achincalhá-lo – embora isso soasse bem – mas para dizer que ela estava novamente livre para ocupar outros cargos.

Ela, porém, disse-me que não faria isso em consideração ao antigo superior e ao nome dele, “para que ele não passasse por constrangimentos“.

Ela fez a tal entrevista e saiu-se, aliás, muito bem. Contando como tinha acontecido, ela já veio com um papinho de que era muito importante ter um chefinho (sim, foi esse o termo) que estivesse sempre presente e que tivesse uma posição muito definida quanto às metas e ao desenvolvimento do trabalho, reiterando, em relação à discussão que culminara com sua demissão, que ela envidou esforços para minimizar os efeitos negativos do acontecimento para o anterior chefe dela.

Bem, pelo visto, a estratégia de se mostrar subordinada, prostrada e submissa a mais um centro de comando frutificou, já que ela recebeu umas tarefas pra fazer como experiência. Eu sei qual será o próximo passo: endeusar o chefe, ressaltando suas qualidades e seu infinito conhecimento. Detalhe: esse é o comportamento que a minha superiora demonstra e sempre demonstrou, a ponto de se referir ao nosso superior como sendo “o amado mestre“.

Bem, quando ouço essa expressão, tenho vontade real de matar, dar uma de Rambo e arrancar traquéias com as mãos. Em relação ao tom de submissão e de pequenez frente aos superiores, confesso que tenho um misto de raiva e pena, porque com esse agir parecem negar que nós todos somos iguais em essência e as diferenças que se notam derivam muito mais das condições e escolhas que cada um fez. Só isso.

Salvo honrosas exceções, os potenciais são iguais. Como cada um emprega (ou pôde empregar) o seu é o ponto chave das diferenças.

Esse tom me faz lembrar de cães, que apanham do dono e voltam, felizes da vida, abanando o rabo, pra tomar mais uma porrada.

Eu, sinceramente, não sirvo pra isso. Todos temos pontos a serem elogiados, é verdade, mas todos somos humanos e, por conta disso, temos um rol grande de defeitos que não podem ser ignorados. Sempre digo que se alguém fosse perfeito, não estaria aqui, andando entre homens, sede da imperfeição.

Tudo isso é pra dizer que o servir, com todo o peso da expressão, não me cai muito bem. Faço apenas uma ressalva: quando o servir me interessa e serve para travestir um mecanismo de obtenção de algo que seja do meu interesse. E aqui, novamente, me decepciono com minhas colegas, porque nelas a idealização já superou, há muito tempo, o servir falsamente dedicado, para cunhar expressão.

Oportuno encerrar com uma breve citação de uma fala de Iago em ‘Otelo’:

Tranquiliza-te, rapaz! Só continuo sob as ordens dele para servir meus propósitos a seu respeito. Nem todos podem ser amos, nem todos os amos podem ser fielmente servidos. Observarás muitos destes canalhas, obedientes de de joelhos flexíveis que, adorando sub obsequiosa servidão, empregam o próprio tempo como se fossem o burro do próprio dono, somente pela forragem e, quando ficam velhos, são demitidos. Chicote nesses patifes honestos!“(grifos meus)

Forte abraço,

C. Medina


Família, família…

Fevereiro 24, 2008

Caríssimos,

 

Perdoem a ausência, mas este mês está dos mais complicados. Pra resumir a ópera, saio de casa às 7:00 e volto às 23:00, beeemmm cansado. Pouca vezes a música “Capitão de indústria” fez tanto sentido e esteve tão em voga na minha playlist. Tanto que faço minhas as palvras da Nat nesse post aqui.

 

Tinha bolado uns posts legais no fim de semana passado, mas o cansaço me venceu e eles ficam pra uma próxima oportunidade.

 

Quero falar sobre uma conversa próxima de uma discussão que eu tive com minha mãe ainda há pouco. É, mais uma vez, um questionamento sem pretensões universalizadoras, ao contrário, é bem intimista.

 

Conversávamos sobre os assuntos da família, que se mantém lá no interior, enquanto eu e minha irmã permanecemos desgarrados do rebanho aqui na metrópole. O tema foi o aniversário da minha irmã, que ocorreu essa semana e não foi lembrado pela Velha Guarda do pessoal. Quando eles falaram comigo, dias depois, é que comentei en passant a comemoração que tivemos por aqui – aliás, só mesmo um vínculo estreito como esse pra me fazer compactar ainda mais a rotina de sono de uma noite, mas isso é outra conversa.

 

O fato é que a galera só ficou sabendo quando eu disse e hoje, quando encontraram a minha mãe, disseram que haviam ligado hoje, com dias de atraso, e cumprimentado. Minha genitora ficou bravíssima com o fato deles se referirem a ela em diminutivos, como “coitadinha”, “pobrezinha, ela estava trabalhando em pleno sábado”, “tão miudinha” e assim por diante, e, especialmente, pelo fato de que se fosse o aniversário de outros primos, filhos de uma das irmãs da minha mãe, certamente não haveria equívoco ou esquecimento, porque aquele era o ramo preferido pela família.

 

Eu tentei efetuar alguma defesa, mais pra minimizar a crítica e a animosidade dela, porque conheço a peça que é minha mãe. O fato é que não consegui, e ainda ouvi dela que (1) a família só gosta de quem segue a cartilha deles e (2) felizes aqueles que não a seguem, porque tem um monte de gente a menos pra dar satisfação e, principalmente, não tem que “acertar” com eles. Arrematou observando que praquele pessoal é um pecado terrível ser feliz, que só interessa contar mazelas, sofrimento e percalços, e como minha irmã é sempre positiva e nada disso conta, eles não teriam motivo pra gostar da minha irmã e lembrar de seu aniversário.

 

Bem, o comportamento dissidente da minha mãe com a Velha Guarda, grupo que se resume num dos lados dos ascendentes dela e que, por um monte de circunstâncias, é o que mais se parece com a noção de família, tanto pra ela quanto pra mim, tem raízes profundas que devem remontar à infância dela e à disputa, natural, entre os vários irmãos de um mesmo tronco. Um ponto de relevo foi a preferência da Velha Guarda por uma de suas irmãs, aparentemente bem mais “certinha” do que a minha mãe. Ressalto o “aparentemente”.

 

Com a vinda minha e da minha irmã, o negócio tomou outra dimensão, porque se começou a discutir de certo modo os papéis de cada um em relação a nós. A Velha Guarda tentava, de certo modo, tomar o lugar dos meus pais pra si, claro que de modo muito suave e dissimulado. Eu mesmo, ainda bem criança, era uma bela massa de manobra e só hoje consigo divisar com alguma capacidade de discernimento tudo o que ocorria. Isso ocorreu e deve ter reavivado os problemas.

 

Bem, mas porque estou postando isso? As afirmações da minha mãe, que, segundo ela, resultavam de toda uma tarde de ruminância, agora atingiram a mim. E embora eu tenha negado razão a ela, começo a acreditar que há ao menos um fundo de verdade.

 

Quando ela diz que não há espaço para estranhos, acho que ela tem razão. Eles nunca souberam mesmo lidar com as diferenças e eu confesso que ainda tenho dificuldades com isso, a despeito de ter mudado, e muito, nesse aspecto. Confesso, mais, que uma das maiores diferenças que eu verifiquei em relação ao meu comportamento pré e pós-faculdade foi o quanto eu aprendi a tolerar as diferenças e a conviver com as desigualdades. Em como eu percebi não ter a receita infalível para o sucesso, já que comportamento diferentes produziam, academicamente, resultados muitas vezes bem melhores do que os meus. Permito-me observar que isso foi um choque e me levou a uma profunda crise sobre se meu estilo de vida era correto e se eu estava no rumo certo, porque não me sentia, como ainda não me sinto, lá muito feliz.

 

Por outro lado, as pressões externas e a necessidade de dar satisfações sempre me incomodaram, tanto que minha vida pessoal costuma ser um segredo de Estado que não compartilho com ninguém. Apesar dos meus namoricos no interior, nunca apresentei nenhuma namorada, receoso do impacto que isso ia causar na família e, em especial, na Velha Guarda, e ainda hoje a idéia me soa desconfortável. A questão da vida profissional e acadêmica também me pareceu sempre difícil de relatar, porque eles nunca entenderam direito o que eu fazia aqui e mesmo como era o nome da faculdade, se era federal ou estadual, se eu pagava. Nunca tiveram a capacidade de entender minhas escolhas e, em boa verdade, ainda nem tem, tanto que prefiro poupá-los dos meus estratagemas pro futuro pois percebi que não vou ser entendido e, em suma, não vou ter apoio, talvez nem crítica aberta, só um “você é quem sabe”, recheado de um receio e de conversinhas dizendo que não arriscar o emprego que tenho com meus sonhos e bla-bla-bla.

 

É, mesmo quanto ao terceiro ponto eu tenho de dar algum crédito a ela. Eles definitivamente não sabem lidar muito bem com as alegrias, sempre frisando o que há de mais triste e complicado, o que incomoda, por compartilhar dessa características. Eu confesso que também me sinto assim às vezes, percebo que falo mais das desgraças do que das bonanças, por razões variadas. Primeiro porque minha vida é meio monótona e o que ressaltam são, infelizmente, as agruras. Também porque elas me parecem às vezes tão pequenas que dizer quais são parece remeter ao quão predominante são as positivas. Terceiro porque sou um pouco pessimista, é verdade.

 

O fato é que eu também me interesso pelas desgraças alheias, não porque goste disso, mas porque se eu me preocupo com alguém, a tendência é que eu “viva” os sentimentos dessa pessoa. Estando ela triste, eu fico igualmente triste e preocupado, de verdade (não tenho, aliás, razão nenhuma pra falsear aqui neste espaço). Se ela está bem, eu fico despreocupado, porque, ora bolas, está tudo bem e certo, direcionando minha atenção pra outro lado. Nisso, ao que me parece agora, esqueço de viver as partes boas. È certo, porém, que com isso deixei de viver minha vida, tanto que quando vim pra metrópole, uma das coisas que mais me impressionavam é que eu tinha o dia todo pra pensar em mim, já que os problemas da família estavam separados da minha ação por centenas de quilômetros. E isso foi muito, mas muito salutar.

 

Que beleza, então. Se eu admito que minha mãe está certa, sou obrigado a concordar que, por ser querido pela Velha Guarda, sigo a cartilha deles. Confessei, ademais, que compartilho um pouco do agir deles. E aí, sou como eles? Será que terei o mesmo destino deles? Uma velhice encarapitada numa cadeira espreitando o que acontece com os outros e criticando os supostos erros e falhas, que devem ser imputados, com alguma razão, ao meu jeito distorcido ou inflexível de ver as coisas? Será que eu vou encarar a vida sempre como um fardo infeliz, saltando de desgraça em desgraça como temas das pautas de minhas conversas? Que não vou saber gozar dos frutos dos meus esforços, como não soube ainda? Será esse o meu destino?

 

Noutra hora volto pra responder, devendo alguns comentários nos blogs da Dinha, Nat e Niala, que estão no meu rss e visito sempre de modo corrido no meu trabalho. Ainda escrevo aqui um com o tema que queria, sobre uma música que ouvi semana passada.

 

Perdoem, mais uma vez, a prolixidade. Confesso que só escrevo pra extravazar o que me atinge, e isso sempre vem em torrentes.

Abraços a todos, deste já dois kilogramas mais magro neste mês (hiii, ó eu reclamando da vida de novo…. mas compenso: o mês tá corrido mas tá bom!!)

 

Medina


Um dia nublado…

Fevereiro 5, 2008

O Ministério da Saúde adverte:

O que se delineia adiante é, essencialmente, um registro de um dia bem deprê e das reflexões principais que fiz. Sintomaticamente, diz respeito apenas e exclusivamente ao meu cotidiano, e, além disso, é beeeem longo, de modo que deve soar maçante. Está dado o aviso. A persistirem os sintomas, consulte sempre um médico

(ps. nunca entendi esse “A”, sempre achei que “Se” faria muito mais sentido, mas acho que isso deve ser expressão contida em lei pra ser tão repetida)

Hoje não haveria razões para esse post, mas como eu prometi a mim mesmo que faria o registro, mais como um estandarte a me lembrar das dificuldades passadas e do problema em seu retorno, faço a descrição dos sentimentos deprês que me atingiram num dos dias da semana passada.

Bem, quarta-feira eu tomei um mega bolo. E fiquei puto por isso três vezes. Além de tudo que eu fiz pra me preparar e da dúvida que eu trazia comigo sobre se valia a pena ou não esperar, da desculpa esfarrapada no meu trabalho, da pressa(1), não tive uma resposta nem um avisinho de que não ia dar no dia(2). Então, além da frustração, fiquei puto com o silêncio. Não fosse por isso o meu auto-controle já trabalhou forte e me mandou segurar a onda porque havia boas razões para o bolo. De fato, isso existia mesmo e eu não nego. Mas estava puto, inclusive porque eu sabia que não devia ficar tão puto e pôr a culpa em quem me deu o bolo. Logo, fiquei puto comigo mesmo(3), coisa que nunca dá muito certo.

Bem, vamos ao dia seguinte. Não acordei exatamente feliz ou disposto, mas tive de ir ao centro comprar uma bugiganga. É que meu mp3 player havia quebrado dois dias antes e, naquela noite, eu viajaria pro interior, coisa impensável sem música. Pois bem, fui a um centro de comércio específico e, na primeira galeria mais ou menos vaiza, entrei e, na primeira loja, comprei, sem discutir o preço. Testei o aparelho e ainda ouvi (“Só o aparelho tem garantia, o carregador não”). Beleza, tia, um abraço, té mais.

Fui ao trabalho. Cheguei lá, resolvi carregar a bateria do bichinho. Quem disse que o carregador fucionava?? E descobri como eu sou um quadrúpede orelhudo e herbívoro, porque mesmo ouvindo que o maldito carregador não tinha garantia, não o testei, apenas o aparelho. Felizmente, o cabo conector permitia o carregamento via usb.

Veio o trabalho, em si, e as conversinhas paralelas que me fazem amar. Peguei uma bucha medonha. Tava tão bom que uma certa dorzinha que me acomete em épocas de turbulências nervosas me assaltou às três da tarde. Alguém tinha buscopan pra me emprestar?? Lógico que não. E o departamento médico?? Férias coletivas…. Nada que meia hora trancado no banheiro não fizesse passar, ouvindo as perguntas de “O que será que aconteceu?” do lado de fora. Bem, fiquei resolvendo os problemas a até depois do expediente e já estava saindo correndo – pra fazer a mala – quando lembrei que tinha prometido uns ajustes nuns trabalhos da chefe e tinha de fazê-lo naquele momento. Mais uns 15 minutos perdi ali.

Corri pra casa, esquentei a marmita que peguei no almoço, corri pra arrumar a mala e já saía quando vi entrar no msn a responsável pelo bolo da noite anterior (sim, a responsável é a interlocutora de quem tenho falado). A conversa começou, depois dos cumprimentos, com um “Mal por não ter ligado…” O fato é que eu a tenho em altíssima conta e compreendo os percalços que a atingem, razão pela qual não me disse chateado e as mágoas que me atingiam hoje já estão dissipadas.

De todo modo, despedi brevemente e fui terminar a mala. Carregava meu player novo quando o sistema deu um pau violento e, sem tempo, fiquei só com metade das músicas que iria colocar. Naquela altura já era o suficiente pra me deixar bravo. Eis que, em seguida, num esforço pra fazer entrar na mala um mundo de coisas, ouçou um barulho que me atormentou: provoquei um belo rasgo de 10 cm na costura forçando o zíper. Fiquei putísssimo, só procurei o buscopan pra me prevenir e fui embora assim, com a valise semi-aberta.

Cheguei misteriosamente cedo na estação rodoviária e, após uma pequena fila, sentei-me na plataforma esperando o busão. Toquei o mp3 no máximo na pasta de música clássica pra tentar relaxar, sem muito sucesso, porém, graças aos ônibus que passavam de um lado e de outro.

Chega o meu. Espero cautelosamente embarcar a maioria, pra não esbarrar em nenhum conhecido – não, eu não queria papo – e entro com a minha mala, pra evitar demoras no desembarque. Bem, quase atropelo a moça que estava na poltrona do corredor, mas chego à minha. Tendo acomodar a valise embaixo do meu banco e encontro dificuldades. Descubro que a poltrona escolhida tem um maldito degrau embaixo dela, o que impedia a ocultação da bagagem. Com isso, eu não conseguia descer o apoio para os pés. Depois de muitos resmungos e esforços, tirando tudo de dentro da mala pra ver se o apoio descia, virei a mala, invadindo um pouco o espaço da poltrona vizinha e consegui descer o apoio. É, até que as coisas não estavam más. Torei o volume do mp3 e me preparei pra viagem que já começava.

Esperei sentado saírmos da cidade, coisa que podia demorar, quando resolvi reclinar o banco pra aproveitar melhor as bençãos de Morfeu, cuidadosamente provocadas com o auxílio do Dramin. Ah, aí veio minha surpresa. O banco não reclinava. Ou melhor, ele não segurava a posição. Conseguia deitá-lo bem, mas ele voltava em seguida. Tentei por três vezes, mas em todas o resultado foi o mesmo. Pra melhorar, abortei as tentativas porque o sujeito do banco de trás havia encostado uma sacola detrás do meu, sacola essa que ruidosamente caía quando eu reclinava.

Essa foi, em boa verdade, a gota d’água. Não havia outra poltrona vazia. E aquilo era a cereja do bolo, por uma razão bem simples. Daquele jeito eu não conseguiria dormir e passar a noite acordado não é, MESMO, coisa das mais agradáveis. Ia chegar em casa cuspindo fogo e mau humor, hibernaria até de tarde e acordaria com um saudável sentimento de culpa por minha “brabeza”. Num arroubo pessimista, começei a me preparar para a quebra do ônibus, que me parecia o “exaurimento” daquele crime que se havia cometido contra mim (ok, essa é uma piadinha jurídica, interna, portanto), em outras palavras, a coroação de um dia de merda.

Fiquei zumbizando até a primeira parada, remoendo sobre a minha vida. E isso talvez é o que mais valha a pena recordar, a despeito de sua tristeza.

Eu pensava em como tinha motivos para estar feliz. A semana começara bem, eu estava rendendo bem no trabalho, apesar de liquidar algumas buchas homéricas. Em casa, tudo corria bem, as coisas estavam em ordem. A despeito do bolo, eu ainda sentia, como sinto, disposição e receptividade da interlocutora, que passa por uma difícil fase na sua vida, de muitas indecisões, e eu funcionava, com gosto, como seu confidente. Havia, mesmo, conseguido manter boas conversas com ela, e isso era fonte de alegria. Eu já disse, mas não canso de repetir, ela se parece tanto comigo em certos aspectos e, quando diferimos, vejo nela o meu jeito pré-faculdade, de modo que com ela eu só tenho uma compreensão sem limites muito claros e um desejo de fazê-la feliz. Por isso, senti-la receptiva e tatear a possibilidade de nascer algo mais forte do que a amizade – ah, fiquei sabendo que até a mãe dela andava falando bem de mim, apesar de nunca tê-la conhecido, se é que vocês me entendem hehehehe – é algo que enchia de esperanças. No campo acadêmico, vi encerrar-se uma faculdade relativamente complicada e agora, com o canudo na mão (ui!!), descortina-se um plexo de possibilidades, quase sempre melhores do que a atualidade. Na verdade, tenho pelo menos três ofertas de emprego em vista e isso até me incomoda, mas não é assunto pra cá. De qualquer forma, portanto, isso não era uma preocupação. No âmbito acadêmico, então, a semana começou com uma elevada nota num exame preambular ao exercício da profissão, em que obtive uma das maiores notas da faculdade, certamente entre as 20, quiçá entre as 10 primeiras, suplantando gente muito mais inteligente e muito mais esforçada simplesmente com a atenção nas aulas e um esforço lá intenso só nos últimos dias, coisa que deveria manter “cheia” a minha “bola” por algum tempo.

Mas não. Nada disso me ocorria. Eu só sentia e via o que há de pior na minha rotina. Via noites mal dormidas. Uma vida desperdiçada até altas horas defronte o computador, sapeando sem nexo e de modo compulsivo. Falando sobre bobagens e de quatro por uma menina que devo ter visto apenas há três meses atrás, esperando que a vinda dela pra minha cidade se concretizasse em uma saída bem sucedida, mas essa vinda não vinha, apesar de prometida a todo tempo. Eu só conseguia pensar nas manhãs de sonolência e perda de tempo na arrumação de um quarto que nunca terminava e sempre era interrompida pra ir ao trabalho, em que sempre chego atrasado, provocando risinhos e olhares atravessados da colega de trabalho e da chefe. Eu só conseguia pensar em como perdi uma promoção incrível à qual fazia por merecer somente porque a nora do patrão precisava de uma chance. E, especialmente, em como deixei de dobrar meu salário por isso. Em como me desgastava as conversinhas durante o expediente, como tiravam a atenção das minhas tarefas, dos papinhos que testavam a minha paciência, contando as vantagens conseguidas, as proezas da prole, os avanços da vida, dissimulando nisso tudo, de modo milimetricamente planejado, um tom de merecimento – que eu não ouso negar -, uma idéia de bondade e de – arrisco dizer – favorecimento divino. Não que eu refute isso, mas ouvir alguém dizer isso me incomoda. Há coisas que, na minha opinião, não precisam ser ditas, e a fé, a devoção, a bondade, a caridade, são algumas delas. Mas não vem ao ponto, que é a da encheção que é meu trabalho.

Eu pensava só na aspereza da cidade, na contingência da vida. Em como é insossa a comida que almoço, em como me sinto miserável por jantar exatamente a mesma coisa (por não saber/querer aprender/ter tempo para cozinhar coisas por mim mesmo) em quatro dias da semana, tirando um destes pra me alimentar de saborosas esfiras do habibs – ah, e dois miniquibes – supostamente melhores do que as pizzas, mais gordurosas.

Em como me sinto maltrapilho e em como consumir mais se mostra inócuo, porque quase nada que compro me parece bem ao revisitar a peça ao chegar em casa. Em como me cansa chegar do trabalho e olhar a escrivaninha repleta de papéis e em como meu corpo pede descanso assim que me sento pra estudar. E em como essa rotina me parece perfeita para perpetuar a situação em que vivo, já que, sem estudo, não vou galgar porra nenhuma de cargo melhor e vou continuar aí, vendendo baratinho minha força de trabalho, voltando pra uma república, pra dividir os gastos e fazer caber em meu orçamento a vida na metrópole.

Sobre isso, aliás, eu pensava em como consegui guardar o que guardei de $ até agora e, embora não seja muito, via com uma nitidez claríssima como eu era avarento e como, cumprindo uma triste profecia de minha mãe, eu havia me escravizado ao dinheiro que eu ganhava, procurando cada vez mais guardar mais. Eu refazia as contas das aplicações e calculava quanto rendiam por mês, concluindo que, de fato, eu era um trouxa, que vivia muito aquém do poderia e insistia em me sacrificar e em viver cheio de privações de ordens diversas só pra ver aumentar um pouco mais o saldo ao final do mês.

Eu só via, numa oração, a tristeza que era a minha vida. Apesar de manter frescos diferentes argumentos em benefício dela, só enxergava a merda, se me permitem a expressão. E concluía, de modo cristalino, na minha miserabilidade em em como a minha existência parecia vazia e despropositada. Me perguntava porque pretender viver até os 80 se teria mais quase 60 anos de infelicidade!

Eram esses os pensamentos que me assaltavam. Felizmente, e seguramente por intervenção divina, dormi por quatro longas horas e acordei já mais animado. O repouso é uma santa benção. Apesar de acordado no último trecho, cheguei alegrinho em casa, tratei a todos com fineza, até tomei café da manhã (às 05:00), coisa que remotamente faço! Depois, dormi e acordei às 10:00, já tendo me esquecido dos perrengues do dia e da noite anteriores. Hoje, então, nada mais resta daquele amargor, a não ser a lembrança dos pensamentos, que soa agora despropositada e repleta de um “coitadismo”, pra cunhar expressão. Mesmo assim, sinto uma inequívoca verdade em tudo o que disse ou pensei, razão pela qual, como já me adiantei, efetuo aqui o registro de tudo, mais como aviso e reflexão para o balanço de meus dias e das mudanças que se fazem necessárias em meu cotidiano.

Perdoem a verborragia e a prolixidade, mas é um desabafo e precisava ser completo.

Abraços,

Medina


Reflexões, vol. I

Janeiro 25, 2008

Deixo de lado meus exclusivos problemas pessoais pra abrir espaço a uma discussão um registro que me parece importante, sobre um tema que sempre me afligiu e tem a ver, ao que me consta, com o já tantas vezes dito desconcerto do mundo.

O mote da estória: – é meio escroto, mas vamos lá – o programa MTV True Life, da MTV gringa, que mostrava a estória de 3 gênios, 3 moleques superdotados mas que, a despeito disso – como se a regra, pelo menos do que a gente vê nas tvs, não fosse essa – enfrentavam diversos problemas na sua vida pessoal.

Em síntese, os casos eram os seguintes: um moleque com ouvido perfeito, que aos 14 tocava violino de um modo absolutamente impressionante, encantador, e tinha um puta talento pras matérias acadêmicas. Contudo, vivia afastado e estigmatizado no colégio e queria – veja só, que típico – conhecer como era uma festa de adolescentes.

O segundo era um mongol de nascimento que, por não ter nd que fazer, jogava xadrez pra se destrair e aos 5 anos já era um fenômeno. Veio aos 17 pra jogar comercialmente e sustentava, aos 22, a família. Nessa altura, tinha um BMW e fazia academia – parecia um torurinho. Grande mestre aos 18, era o 5º do mundo antes de ir a um torneio no México, onde esperava ganhar mais $ pra família e subir no ranking.

O terceiro era um geninho, que tinha uma capacidade interessante: raciocínio super-rápido nas exatas e conseguia mandar pra memória de longo prazo quase tudo o que aprendia – ou seja, memorizava pra caramba as coisas. Queria, aos 14, ir pra faculdade (ou melhor, Stanford), mas foi rejeitado porque lhe faltava destaque.

Algumas observações rápidas:

1- se o violinista nascesse na Europa dos séculos XVII-XVIII eu tenho certeza que estaria arranjado e seria uma personalidade, freqüentaria as melhores festas da Corte sem se preocupar – bem, isso se tivesse destaque e tivesse a chance de tocar um violino, pq podia ser simplesmente um coitadito camponês ou um mendigo de rua. Mas eu fiquei pensando: será que foi vantagem ele nascer no século XX, na potência das potências?? Talvez ter surgido num contexto de maior atraso não lhe teria feito mais FELIZ??

2- Porra, o moleque enxadrista – acho que Var é seu nome – é bom pra cacete mas enfrenta uma puta pressão diária com essa estória de preciso ganhar pra sustentar minha família e trazer mais conforto a eles. Putz, a habilidade dele o tirou da Mongólia, o que me parece um grande feito, mas essa rotina dele não me parece, em verdade, invejável. O cara tem de se preocupar com ganha pão da família que sai diretamente dele!!! Essa realidade sem dúvida é familiar a muitos, muitos. Não a mim, graças a Deus, ou melhor, em parte não a mim, que só sinto uns reflexos disso de vez em quando mas tem sido bem compensador. O ponto é um só: embora seja gindo de louvores aquele que exerce bem o papel de arrimo da família, isso não é justo consigo próprio. Quem quiser assumir este papel deve estar ciente de que não é jornada fácil nem agradável, e que a pressão somente aumenta. Cuidado com isso….

3- O terceiro moleque era o mais feliz, ao que me parece. Tinha um aparente bom relacionamento social e era bom no que fazia. A reflexão que ele me proporcionou foi a seguinte: porra, que país é esse em que ser um gênio e mandar bem nas matérias não basta para o ingresso numa Universidade??? Que modelo de potência é essa??? Onde está a tão discutida meritocracia??? Poxa, permitam a insatisfação: não bastava ser um gênio, tinha que ter um diferencial??? MEU DEUS DO CÉU, que absurdo!!! Será que os gênios lá estão em tanta abundância assim, que dá pra escolher??? Meu, o moleque trabalhava num laboratório que pesquisava a recuperação da mielina, pra combater uma doença (esclerose múltipla) aos 14 anos!!! Depois da escola, esse era seu bico!!! Ah, por favor, e ele não tinha um diferencial pra Stanford?!!!!

Não pretendo, em verdade, concluir uma coisa com as reflexões que eu fiz sobre esses três. Mas me fica uma úncia sensação: de que esse mundo não é dos mais justos, nem dos mais suaves pra se habitar. Mesmo quando se é agraciado com um dom de poucos (os caras disseram no programa que só 1% da população é de gênios – eu conheço bem mais de 100 pessoas e confesso que apenas uma se aproxima disso, mas não me parece ser de fato genial -) não se tem uma vida muito fácil, não. Será que em outros períodos não era mais fácil? Não se obtinha mais destaque? Sobretudo, porém, fica a idéia seguinte: “

Onde está o reconhecimento por estas habilidades especiais que são postas em favor de todos, em benefício do desenvolvimento da ciência ou das artes, como nos casos apresentados (exceção talvz fosse o enxadrista, mas eu considero esse esporte uma arte)?”

Não falta pra estes caras um merecido destaque (“Ah, eles ganharam um programa da MTV…” – vsf, isso não é porra nenhuma)?

Será que nós ainda não aprendemos, enquanto sociedade, como lidar com eles?

Porque o bom uso de suas habilidades não é bem visto?

A minha resposta é que nós ainda não conseguimos lidar bem com as diferenças e temos medo daquilo que é muito diferente de nós. Com isso, rejeitamos e estigmatizamos, pondo de lado, por temor ou inveja. Mas não pode ser assim, nós temos que acolher cada vez mais, tomando sempre o cuidado, é claro, de evitar que outros possam querer abusar das faculdades e dons que lhes foram concedidos.

Só assim, ao que me parece, vamos principiar o concerto do mundo.

Nossa, esse foi profundo, pacas…


Por que cargas d’água….

Janeiro 23, 2008

Eu não queria, digo de coração, eu não queria.

Eu tentei, sou sincero convosco, mas nessa eu falhei…

Isso me mostra, contudo, a indecisão típica dos homens.

Ontem à noite, reclamava da falta de sentido da vida, do desânimo para prosseguir na peleja diária.

Hoje à tarde, ainda no trabalho, encontrei uma certa interlocutora no msn e a conversa evoluiu bem, muito bem, tanto que fiquei até as 19:30. Quando a vi, uma grande alegria me bateu e eu me diverti com ela, de verdade. Embora nunca tenha mentido, o “adorei falar com vc” foi muitíssimo sincero.

Eu tentei, já disse, não queria que acontecesse. Queria desfrutar e levar a coisa sem preocupações. Contudo, falhei, e a prova cabal disso é a tal alegria que me preencheu um vazio sem fim quando falei hoje à tarde, espantando todo o desapego e a tristeza que me abatiam.

Por que cargas d’água eu fui me apaixonar de novo?

Volto ao ponto da indecisão – estava triste porque não via perspectiva – fiquei feliz com a conversa da interlocutora – agora volto a ficar triste de medo de não dar certo e me ferir de novo. Mas agora, escrevendo aqui, percebo o meu erro: essa vida foi feita de tentativas e sem elas não há acerto. É bem verdade que a sorte não passa selada na nossa frente mais de uma vez, mas já passou uma e duas, quem sabe não passa uma terceira?? Por isso, mesmo que nessa passagem eu não consiga alcançar a alça da sela, é melhor estudar bem o cavalo e ir chegando perto. Porque as trilhas pelas quais caminha a tal sorte sõa inteiramente desconhecidas e, quiçá, no futuro estarei eu mais perto dela?? Isso me faz lembrar que todo aprendizado é válido. E embora o carinho e a cabeça da caríssima Interlocutora não sejam encontrado por aí em abundância, ao menos com ela garanto uma amizade confidente e “treino” pros futuros desafios que possivelmente triharemos nesse ano. Mas a par disso, em seguimento estrito às leis da atração, vamos nos concentrar no nosso foco:

INTERLOCUTORA, my fairy lady who stands on the walls, life is short and wait is long. The stars, away, dim with the dawn, my fairy lady who stands on the walls. Por isso, venha logo me visitar que nós fomos feitos caminhar juntos por essas paragens. Mas vem logo que eu tô com saudades…

Piegas e revelador, mas verdadeiro.

Abraços,

Medina


E agora, José? parte III

Janeiro 19, 2008

Camaradas,

Desde a última escrita nesse blog muita coisa aconteceu. Tudo começou com conversas mal engatadas, que não me levariam a lugar algum. Dopo, umas bem acertadas e uma informação: “sexta estou aí. Saímos?”. Claro.

Mas aí que vem a surpresa: um dia antes “estou na cidade!! Fala comigo….” Vixe, nem preciso dizer que os planejamentos tiveram de ser adiantados e a burra gemeu pra parir as libras. Não, mentira, tenho que agradecer essa adiantada que me fez ampliar o visu com estilo (e preço). Aliás, mais uma vez vejo que a pandurice não tem porque continuar: dá pra gastar medianamente e fazer um puta efeito.

O fato é que a quinta pode se resumir em três atos:

1ª surpresa: ela chegou mais cedo

1º tormento: arrumar tudo a tempo – aí cometi o erro mais banal: contei a terceiros o ques se passava. Como eu ainda insisto nisso, depois de tanto tempo se ferrando??

2ª Surpresa: ela já está no ônibus a caminho de casa

2º tormento: bem, na verdade, graças ao pasalix, não passou de um calor grande que se acalmou depois de 12 horas de sono initerrupto. Relaxantes, aliás.

Hoje acordei com uma só idéia: dizer que ela é fantástica, tem muitas das qualidades que eu procuro, tem muitas coisas em que se parece comigo = tenho uma grande empatia por ela.  O que quer que vá daí derivar, não me importa mais, nesse momento (00:10), mas vai depender de muita conversa e muito tempo junto. Pena é que nesse fds não vai ser, nem no próximo (exame à vista), nem no terceiro – carnaval. No quarto, é véspera do início das aulas. Em resumo, já era!!!!!

Mais uma vez, o resultado da brincadeira se resume na expressão do Fantasia “Tiro n’águaaaaa”. Há uma saída? Remota. Em primeiro lugar, preciso engatar melhor os assuntos do msn e parecer mais agradável de se conversar, coisa que eu não estou sabendo levar de jeio nenhum. Mesmo que isso dê um fruto sequer, como eu já previra, a mudança de ambientes vai querer fazer ela mudar e não há como competir contra compatibilidades e contatos duradouros e diários.  Em suma, o fruto não vai se perpetuar.

O saldo de agora:

- poder confiar nos amigos não tem preço. Poder confidenciar o que se passa sem receios de qualquer ordem é algo imprescindível e inigualável. Li hoje que todos precisam de alguém assim num raio de no máximo 100 km.

- inteligência não acompanha a bondade de coração e a delicadeza, ou, mesmo, a educação. Ah, isso é mais uma constatação. uahuhauuahauhhau

- voltamos à estaca zero com um componente negativo – um furo latente!! De qualquer modo, dessa vez eu me recuso a acreditar que ela somente foi “legal” e eu interpretei errado. Não havia porque ser assim, tão solícita e atenciosa, com um completo estranho, nem tão incisiva na fofura das mensagens, em como era bom falar comigo, em como seria legal se eu estivesse na net depois. Forçei a barra com um negócio do comovocêgostadeserchamada, me fudi, ao que parece, mas esse foi um erro de menor monta. O ponto – e essa foi a idéia que dominou minha manhã – é que ela não sabe o que quer, está acelerando além do que ela mesma aguenta. Embora remanesça agora a “doença da tia”, a súbita mensagem – estou aqui – a rápida viagem, a certeza da véspera sobre se ver e sair, tudo me indica um conflito sério sobre o que se quer. E aí, o ponto que me deixa p., a minha chateação em não ter sido avisado. Eu só queria isso. Meu gênio acanhado e meus freios de controle bem desenvolvidos jamais me permitiriam chutar o pau da barraca ou exigir explicações, mesmo porque não havia porque fazê-lo – eu não tenho um direito sobre a pessoa e a vida alheias. Mas só queria ser avisado e não ia, de jeito nenhum ficar puto e fazer escândalo. O que mais tenho com as pesoas – e elas não têm comigo – é paciência e compreensão. Cada um tem de andar na sua velocidade, é o melô do tímido. E isso é o que eu penso. Se ela não sabe o que quer, não precisa se preocupar. Vamos devagar, eu prefiro assim.  Vamos até onde for possível, até onde o negócio caminhar. Nem um passo a mais, nem um a menos. Mas era só isso o que eu queria que ela entendesse. Mas preciso de muita conversa via msn pra retornar nesse ponto. Talvez eu começe numa dessas dizendo desculpar por ter ligado atrás de seu telefone, mas acho que ela correu o risco : quem mandou a mim avisá-la??? Ela própria!! Então, suporte as csq!! Mas isso já fica pra outra estória.

Abraços afetuosos de quem passou a quinta-feira a base de medicamentos (não, quase isso)

KKMedina + um recheado copo de Vodca