Dúvidas e fugas

Junho 16, 2009

Falei com minha xará hoje.

Respondi a um e-mail seu. Depois nos falamos por telefone.

Ela colocou em xeque minha decisão de retornar à pátria daqual estou exilado.

Não faz muito tempo eu disse a ela que pensava em continuar trabalhando aqui, num cargo mais simples, menos remunerado mas com mais horas livres. Disse que evitava o regresso por temer que as influências e encheções dos familiares fossem me sufocar e me atrapalhar lá.

Eu tentei argumentar que isso depende de grana, que o martelo só foi batido na questão de parar de trabalhar e que a ideia de regresso tem me agradado muito.

O que está por trás de tudo – embora eu tente escoder dos outros – é simples: dois fracassos no campo afetivo se tornaram o pingo d’água final.  Eu já estava de saco cheio de tudo e da falta de estudo quando todo o celeuma em torno da segunda surgiu. Com ela, a esperança de ter uma razão concreta para permanecer. Sem ela, já tendia com força pra saída. Agora que a primeira, que eu pensava já haver superado, me aparece com namorado, boa praça e amante da música, todas as minhas forças se centram na saída. No fundo, no fundo, é fuga. É não suportar a situação, é não encarar o fracasso.  É não aceitar que poderia ter sido eu a beijá-las, a tocá-las, mas não fui. É não suportar os comentários abonadores que se farão na sala de estar, que escorregarão nas conversas. É bem verdade que eu preservo as minhas relações com todos, congelando-as num ponto em que estão bem e estáveis, evitando que se degringolem. Mas também impeço que continuem e as condeno, de uma ou outra forma, à morte. É curioso. Preciso pensar mais a respeito.

De toda forma, não me sinto à vontade para prosseguir num jogo de máscaras, ocultando e reprimindo meu desejo mais presente, de insatisfação e ciúme. Por isso, exatamente por isso, a decisão de sair me parece tão certa, tão inexoravelmente adequada que a aceito sem muito titubeio.

Em resumo: penso que voltar ou ficar são atitudes válidas. Mas preciso ter certeza dos motivos que me farão decidir por uma ou por outra. Atingindo isso, um abraço. É fazer as malas ou desfazê-las de vez. Ainda tenho muito a refletir e a sopesar a respeito.

C. Medina.


Noite de inverno

Junho 14, 2009

Quais influxos me conduzem nessa amena noite de inverno no Oeste?

Preponderam duas sensações.

A primeira se resume ao medo com as implicações da decisão de voltar, agravadas pela percepção de que devo retornar literalmente para a casa de meus pais. Como os desdobramentos podem ser variegados, como a solidão pode ser algo de peso, especialmente no começo, tendo a me preocupar. Temo remoer e lamuriar, temo ver a certeza perder-se em meio ao desespero, especialmente depois dos primeiros tombos.

A segunda marca se refere ao dilema mais comezinho, com seus dois ou três nuances. O primeiro postulado tem algo de gutural, de animalesco. Quero e preciso me mover, me superar, ultrapassar os limites e dar vazão aos desejos que me dominam o corpo, sorver dos meus privilégios de macho. Mas ele tem seu contraponto no último titubeio. A solução me parece ser evitar seu prolongamento e repetir as tentativas, tentar de fato o bote, para errar e errar, até obter sucesso, ainda que o alvo não seja do perfil que me agrada. Os outros dois têm nome, feminino por sinal, e me consternam e confundem pela gentileza e atenção evidentemente extemporâneos. É curioso, porque vêm no momento menos apropriado, justamente quando os sentimentos que nutria pelas duas sofreram baixas históricas. A primeira experimentou minha súbita ausência ao longo de seis meses e, ao que me parece, voltou a ser delicada e interessada, como eu só vira no longínquo dezembro-07, janeiro-08 , apenas porque,  tendo começado a namorar, (1)teme meu permanente afastamento, mesmo porque encontro dificuldades para conter um inesperado tsunami de ciúme. (2)Ou será a pura saudade de quem se apresentava como um amigo confiável? Acho que as duas se combinam. Com relação à outra, a mudança radical se processou há um mês, durante duas semanas. Passei da pessoa mais interessada do mundo para uma que não se sentia confortável em conversar com ela. Optei, então, pelo afastamento puro e simples. Por responder msg e não enviar, para tentar conduzir a relação ao status dos primórdios da amizade. Quando o faço, ela volta a ser simpática. O que concluir? 1) a Fernanda estava certa? 2) ela entendeu o recado e, crendo termos restabelecido a amizade, acredita poder agir com liberdade – e dizer que sente saudades – sem se preocupar com o fato d’eu pensar que ela indica ir além? Acho que a segunda assertiva, mas as certezas só virão depois do encontro face a face. Além do mais, tenho uma conversa pendente, ainda sou credor de uma explicação sobre um pedido de desculpas. Veremos o que virá.

Eis o quadro, ainda que imperfeito.

Lá fora, algo próximo do psytrance ribomba pelos espigões da cidade. As raves atingiram o interior, mas delas não participarei. Ao menos não ainda.

C. Medina.


Menos um dia, mais um ciclo

Junho 2, 2009

Meus caros,
Hoje o dia foi daqueles mais bizarros. Cheguei no trabalho animado, já iniciando a contagem regressiva. Eis que me deparo com uma desequilibrada louca gritando ao telefone. E descubro que houve uma devassa no meu lado da sala. Todos os meus processos foram revirados e a os prontos – uns 60 – foram tirados de mim.
Isso me deu uma ponta de incerteza sobre a minha escolha de ontem, mas ainda acho que foi o melhor a fazer. Mesmo colocando em risco minha licença-prêmio do ano que vem, eventual briga se resolverá com um pedido de exoneração da minha parte, diretamente protocolizado na Presidência. Simples assim.
Durante a noite, vi os balanços do mês de abril. O acréscimo foi de pouco mais de R$ 1600,00. Isso, somado ao meu salário-base, irredutível, me garante boa vida aqui pelos meses que se fizerem necessários. Efetivamente, não devo ter medo de exonerar.
Quanto a isso, sinto como se estivesse a cumprir a minha sina. Meu destino.
Sinto a chance de, mais uma vez, recomeçar.
Com efeito, se eu encarei minha vinda pra cá como um recomeço, uma abençoada chance de recomeçar, de efetivar uma reforma íntima, também assim devo encarar meu retorno ao interior.

Vejo como se mais um ciclo da minha vida estivesse pronto pra encerrar e como se já antevisse o outro que se inicia.

Penso que cumpri minha missão aqui. Vim, estudei na faculdade em que devia estudar, graduei, passei na OAB. Fui estagiário, passei a trabalhar e ascendi até o cargo mais elevado que, sob o prisma estritamente jurídico, alguém podia alcançar na estrutura sem ser da Chefia. Cumpri, ao menos de forma mediana, o que me competia no aspecto profissional.

Reformei meu modo de ver o mundo. Tornei-me mais permeável aos aoutros, mais condescendente. Aprendi que nem sempre ou quase nunca eu estou certo, que a verdade é relativa, que há muitas formas de se alcançar um mesmo ponto. Tornei-me mais apto a lidar com as diferenças e com as incongruências, embora às vezes eu não consiga. Tornei-me mais sociável. Fiz amigos no trabalho e, principalmente, fora deles. São uma meia dúzia, mas muito valorosos e muito queridos. Aprendi o que é ser carinhoso com eles e deles receber carinho.Criei, com alguns deles, uma relação efetivamente familiar. E com os parentes deles, uni-me a uma família inteira. Construí aqui, dessa forma, amigos, família e uma identidade.

Ah, desejei. E consegui dar alguma vazão a essa torrente, embora mais, muito mais, seja necessário. Amei. Como amei. Perdi meus sentidos amando. Soube o que é ser tragado por tal sentimento. E sofri, como sofri. Mas tudo cicatriza e desse sentimento só resta o etéreo e fantasmagórico ciúme. Até fui amado, pena que não ao mesmo tempo ou pela mesma pessoa que eu amava. Paciência, é como aconteceu.

Agora que meu trabalho se torna quase insuportável, agora que eu atngi uma reserva suficiente pra sair, agora que as regras de admissão na carreira que almejo mudaram profundamente, exigindo uma preparação mais ampla, mas principalmente agora que não vislumbro mais objetos de desejo alcançáveis e, pelo contrário, desejo sim me afastar dos meus focos anteriores, seja porque tenho dificuldades em conter o ciúme, seja porque outros têm me visto como uma cifra apenas, agora que o carinho dos demais vai perdendo sua importância e eu vou me centrando novamente cada vez mais em mim, agora que minha mãe volta a ser uma grande preocupação, valorizo mais minha família (de sangue) e quero mais voltar. Volto a pensar em escolher SJRP ao invés de I, S ou P. Retornam meus planos de outrora. Constato que a vida é mesmo cíclica.

(Ao tomar banho, voltei a pensar num amplo programa de reforma da minha família. Poderei garantir o sustento e a saúde dos mais velhos. E não esqueci das possibilidades que eu terei de custear a educação de todos os meus primos e, com isso, de preparar uma geração da minha família para abandonar de vez a pobreza ou a classe média, ao lhes permitir meios seguros de sustento e de desenvolvimento dos seus filhos, para aprimorar ainda mais a geração seguite. A chance de fazer deles um time imbatível, que vai se desenvolver, que vai superar, que vai crescer e, insisto, se desenvolver, se aprimorar, progredir em todos os aspectos. Será a chance de instaurar a paz e a auto-suficiência em escala familiar. De unir novamente uma família cujos ramos têm se afastado e que, se eu nada fizer, somente tendem a se distanciar cada vez mais e a levar os meus mais próximos para caminhos tortuosos e obscuros)

A junção disso tudo é que eu assumo que meu tempo aqui se esgotou ou está em vias disso. Das muitas metas que eu previra, várias foram medianamente, pelo menos, atingidas. Outras tantas precisam de atenção – e o campo afetivo é ainda o mais problemático. Mas não importa que não  foram aqui alcançadas. Outro ciclo se iniciará em breve e eu tenho bagagem para melhor enfrentá-lo, para nele consertar o que em mim não consegui ainda reformar. Mais uma chance da vida eu terei para acertar onde errei, para aparar as arestas e afinar a sintonia.

Ontem, ao caminhar pelas ruas chuvosas da cidade, já me aproximando da meia-noite,  senti novamente o ar que eu inspirava. De fato, apesar do adormecimento de anos, eu me sinto vivo de novo. E todo um novo mundo me espera.

Agoniza um jovem. Outro está prestes a nascer. Adeus ciclo velho, adeus rapaz da Capital. Benvindo M. do interior (pela segunda vez).

Vamos proceder em breve às exéquias.

M.


Decisão difícil

Junho 1, 2009

Tanta coisa se passou desde o último post.

Um amor veio degringolando, degringolando, e morreu para, muito recentemente, dar ainda um suspiro na forma doentia do ciúme.

Um outro surgiu, meio que por interesse, meio porque evoluindo de muita admiração. Mas, igualmente, teve destino trágico, se não tragicômico. E também vai morrendo, levando consigo uma amizade rápida e a chance de, por um deslize imperdoável, eu vir a sofrer no futuro, por ter confiado demais (ou por querer muito que os outros descubram o que está oculto).

Começou a terapia, começou o Espiritismo.

Veio morar comigo a srta. 1. Saíram outros dois. Agora chega uma tal srta. 4.

No meio disso tudo, meu chapa no trabalho saiu, sairá agora quem me colocou no lugar. O ofício se tornou inevitável, mas eu recusei uma chance concreta e até segura de sair dele.

E esse é o tema.

Abandonei a chance porque tenho medo de mudanças, de piorar a situação em que já me encontro.

Fi-lo essencialmente por isso, por considerar que exercer uma j0rnada dupla em junho não tinha muito sentido. Seria manter um esforço exagerado que simplesmente bastaria para me garantir como assistente por mais dois meses (junho e julho).

E, de quebra, tomei mais uma decisão: dou o aviso prévio em 15/09, inexoravelmente. Espero, em 15/10, estar no cartório, tirando minhas férias, que se prolongarão até 14/05/10, possivelmente, data em que pedirei a exoneração.

Pesa-me a falta de lealdade com a M., a inconstância, o paradoxo de reclamar e não apoveitar uma chance, ter usado minha avó como desculpa.

Sustentam-me a doce ideia de ter acionado uma contagem regressiva breve, que será sobremaneira dificil no primeiro e no último meses mas suportável nos dois outros. A percepção de que antevejo o término da minha jornada aqui na capital, de que outra vez eu começo uma fase nova, muito em breve. Fase de transição, de consolidação, que me atrai.

De outro lado, pensar que eu vou poder focar minha atenção fora do gabinete pras minhas coisas também é relevante. O mesmo se diga dos gatos no trabalho. Pensar em que eu não preciso suar demais a camisa, que eu não preciso me esforçar pra aprender. Que eu terei férias (!!) de meses de duração, remuneradas com acréscimo de um terço.

Me sinto mal por M., que encerrou dizendo que precisa de alguém que goste dela, coisa que eu bem faço. Mas minha relação com ela era de uma conexão e de uma companhia subserviente com prazer, o que era prejudicial pros meus estudos, embora muito gratificante.

Rogarei por ela, de coração, assim como espero ter forças pra suportar meu conflito com meu Chefe.

E espero ter tomado a decisão correta.

Oxalá tenha sido assim.

Afetuosos abraços deste ausente mas não morto,

Medina.


Quem não se posiciona numa contenda

Dezembro 26, 2008

Assume o risco de ser visto como inimigo pelos dois lados.

Era uma vez 3 amigas.

Conhecia 1 e, por meio dela, 2 e 3. 1 e 2 são iguais, idênticas. Despachadas, alegres, amorosas, divertidas. Me conquistaram instantâneamente.

3 era reservada, soturna, calada, pensativa. Ganhou-me pela semelhança comigo em meus momentos mais introspectivos.

Eis que sobreveio a desavença entre as três.

Eu não fora avisado, mas intuíra, por uma conferência de 1 com outro sr., que os ventos não eram de concórdia.

Até que 3 desferiu um duro, insensível e desproporcional scrap contra 2. Essa, aliás, respondeu de modo magnânimo, calmo e sereno, perfeitamente.

Tendo em vista as boas relações com as três, e como 1 e 2 nada me exigiram, ponderei q 3 estava fora de si e quando recobrasse juízo pediria desculpas. Mas mantive minhas relações normais com as três, apenas cuidando para não comentar de uma com outra e dando um “gelo” em 3, mas sem cortar o contato.

Eis q 3 me manda um scrap assim: “me conta dos babados” “Não esqueceu da sua amiguinha do coração”. Eu me fiz de rogado e contei dos acontecimentos mais recentes, omitindo qualquer palavra sobre 1 e 2, por prudência e respeito. Sabia q isso seria tomar um partido dúbio e nocivo à minha amizade com as três.

Mas agora 1 descobre o recado que três deixou. E, incontinenti, assim comunica 2:

“viuu..deparei-me com uma coisa tosquissima agora pouco…além disso, tbm uma coisa mto de pau mandando..ou, sei la, de peixe vermelho ( sera mesmo essa a cor? hehehe) dentro do aquario !
Tomara que eu tenha entendido errado ! huaahuahau mas senão, fofocas rolarão no ano novo ! “

Me preocupa o “tomara que eu tenha entendido errado”.

Será que eu fui tomado por “espião”?

Não gostaria, msm pq vou viajar horas a fio para passar o ano novo com 1 e 2. Minha vontade sincera era passar tudo a limpo.  Mas só a virada dirá.

Até lá, a espera, mais ou menos ansiosa.

Hasta!

Medina


O estado da arte…

Outubro 11, 2008

Que diferença de tom com relação ao último post.

Estive com você no final de semana passado.

Não, não ficamos.

Mas ao menos eu matei minhas saudades de você. Em três dias, mantive um convívio fisicamente intenso.

Lembrei-me de como é a textura da sua pele, de quão afilados são seus dedos. Senti o relevo da sua face, o cheiro do seu cabelo.

Ah, como esquecer dos momentos infindáveis em que tive você reclinada em meu ombro, deitada no sofá, enquanto eu acariciava sua mão e seu rosto;

Como olvidar o loiro dos teus cabelos, tão próximos dos meus olhos, à esquerda de meu tronco. Como esquecer dos abraços que lhe dei, do quanto me aprouve enlaçar-lhe, de como pude lhe apertar, a ponto de escutar os batimentos do seu coração.

Como esquecerde quando você me estendia a mão, de como eu brinquei com você, satisfazendo plenamente o que eu desejava, sem me ocupar do que pareceria aos olhos dos demais.

Como apagar de minhas memórias o teu ciúme bobo das mensagens do meu celular, sem que você soubesse quão profundo ali pisava, ou mesmo de quando você retribuiu o agrado, afagando a minha face, olhando pra ela. Só me pergunto, porque não correspondi, naquele momento, aos seus olhares.

Como esquecer de você após ler a sua carta. Como fazer minha admiração cessar o seu crescimento face a clareza com que você conseguiu transmitir suas idéias, atendendo aos rigores formais da escrita mas veiculando uma carga emocional tão profunda, verdadeira e universalizável que me comoveu por completo, a ponto de vencer meus embaraços e dizer que a amo, afirmação que hj não se reveste de grande valor, é verdade, mas que foi proferida com uma veracidade de cujo conhecimento só o emissor tomou consciência. E vem com a veracidade ímpar de um sentimento que hoje, nesse minuto (18:25), é essencialmente neutro, amorfo, indefrinido, porque varia entre o fraternal e o puro desejo.

Interlocutora, sigo cada vez mais seguindo a fórmula de Camões a Dinamene:

“Teu, como cativo”

Medina


Paradoxo

Setembro 21, 2008

Eu sofro quando eu não te vejo, quando eu não falo contigo, quando não te sinto.

Eu sofro quando não te vejo. Quando penso no tempo que passo longe, quando percebo que meu trabalho consegue tomar horas preciosas – e das mais preciosas – de nossa convivência. Eu sofro quando nossas agendas não batem, e quando dá certo, mesmo com a coincidência de cidades, eu sofro por passar tão pouco tempo contigo.

Eu sofro quando não falo contigo. Quando estamos distantes, eu poderia aplacar a tua falta pela conversa. Mas nem sempre as coisas vão bem: eu sofro por não conseguir me comunicar com você. Eu me atormento por não saber introduzir uma conversa, por não usar vocativos que me pareçam adequados, por nunca saber se você está ou não ocupada e se quer, ou não, continuar a falar. Eu não consigo encadear os assuntos a contento e raramente termino a ligação com aquela sensação de satisfação. Eu sofro por me parecer apenas um bom “bad times consigliere“, mas imprestável para os tempos de bonança. Não versado nos temas amenos e na felicidade. Eu me atormento por não saber conversar e por não saber, n’algumas vezes, ouvir, mesmo quando estamos fisicamente um defronte o outro. E eis que você me parece incomunicável.

Eu sofro quando eu não te sinto. Sem te ver e quase sem falar contigo, você me é apenas idéia. E idéia daquelas que esmaecem e perdem sua nitidez com o tempo. Me sinto tão apartado de você que quase não te sinto. É bem verdade que eu ainda me lembro da tua presença tão perto da minha. Lembro da proximidade do teu corpo, dos abraços e cutucões brincalhões, da tua cabeça reclinada no meu ombro. Da tua mão na minha mão. Eu ainda lembro, com lamento, do dia em que enlacei com as mãos a tua cintura e tive tua boca tão perto da minha, tão próxima que podia sentir o teu hálito então temperado pelo álcool.

Eu sofro por perceber que nós hoje nos gostamos com intensidades distintas. Me atormenta a idéia, que definitivamente tento afastar, de que nunca gostaremos um do outro da mesma maneira e que, na verdade, o melhor seria dar de ombros, e deixar de querer colorir essa amizade primária, permitindo que ela crescesse como as demais, com a mesma intensidade e sem os travamentos e embaraços que caracterizam de uma forma tão clara pra mim como deve ser para os outros o quanto eu gosto de ti.

Mas aí, e este o ponto que mais me faz sofrer, eu corro um fundado risco: o de te perder. O de haver queimado uma chance com a qual não tive ainda paralelo em minhas experiências. O de quebrar meu estigma, meu maior estigma, quase que o único restante, que é manter um relacionamento decente com alguém que valha a pena. Eu sei, e só eu sei, como a tua personalidade me fascina. Eu sofro pensando em como me deixei cativar pela sua simpatia, pela sua fragilidade em alguns momentos e pela sua força em outros. Pela sua determinação, pela sua paixão pelo conhecimento, pela sua seriedade intelectual, pelo quanto você é despojada com alguns temas e preocupada com outros. Tudo isso fez de você uma pessoa ímpar pra mim, a minha metade mais semelhante. E eu sofro por perceber que você é a peça que faltava no meu quebra-cabeças, a michelle pfeier deste tony montana, aquela que seria o norte para minha ascenção rumo às estrelas.

Ah, mas eu sinto quão distante isso parece estar. E sofro, pensando que talvez você tenha vindo na minha vida pra que eu pudesse discernir o que me faltava, o que seria o meu paralelo. “Cuidado: veja, admire, entenda, perceba, mas não toque; não é sua”. Tudo isso sem que eu pudesse te ter pra mim. E vejo que o mundo parece ter uma lógica perversa.

E entre tantos sofrimentos, eu penso no que já ouvi: o gostar tem de trazer bons sentimentos, mas não puro sofrimento.

E tentando fazer a conta, pra somar as alegrias que você me proporcionou e proporciona, e subtrair um rol tão amplo de sofrimentos, eu não chego a um resultado matemático, porque o tema não é propício, e nesse labor, sofro ainda mais um pouco.


em 15 minutos

Setembro 4, 2008

Eu me dou 15 minutos pra escrever tudo o que me vem na cabeça nesse momento:

o sentimento verdadeiro:

Semana 1 – putaquepariu, então o riquinho bobo ficou com ela?? ou só investiu pesado (e com certeza fundado em alguma receptividade)??

Semana 2 – a pessoa some

Semana 3 – a pessoa some; a pessoa não responde minhas mensagens sem um delay de pelo menos uns 2 dias; descubro que a pessoa me bloqueou no msn ou me excluiu, de duas uma; a pessoa foi numa festa em que eu insisti pra ela ir achando, na verdade, que ela odiaria, e ela adora e ainda vem com uma foto de um tal “Thiago Tender”; a pessoa não fica off quando entra o rico-burro e, possivelmente, fica conversando com ele até a alta madrugada.

O que tanto me incomoda: putaquepariu, tudo começou com uma boa proposta, uma boa oportunidade de eu finalmente engatar no campo amoroso, firmando um relacionamento com uma pessoa, bonita, boa de corpo, inteligente, que sabe ser divertida (em alguns momentos, é verdade), mas absurdamente parecida comigo. Pô, tinha tanta coisa a ver e a família dela é um doce (até onde eu conheço). Mais, era o tipo de mulher certa pra me fazer engatar e subir na vida, tal qual a Michelle Pfeier pro Tony Montana. Era o golpe perfeito: o emergente que casa com a quatrocentona e vai trabalhar e produzir como um jegue pra manter um padrão de vida da alta.

O contra-argumento: Não é a primeira vez em q vc peleja pra falar com ela e não consegue. Quando ela tá fora de casa, é a mesma coisa. Agora, na casa dos pais, faz ainda mais sentido a incomunicabilidade, já que ela pode ta com os pais ou revendo amigos de escola. Ter gostado da festa (i n t e r m e d) não significa que ela deu pa carai ou ficou com meio mundo lá. Nem que ela despirocou de vez. Nem que ela me esqueceu completamente, nada disso… A exclusão do msn é um caso sério a ser passado a limpo, mas pode ter sido ocasional. Eu mantinha só meu primeiro nome lá e isso pode ter sido fatal….

Quanto ao meu medo da perda ou da repetição da falha da tentativa de engatar um namoro, só posso dizer, de um ponto-de-vista racional, que ele tem seus fundamentos mas parece infundado. Não é possível que ela tenha despirocado e pelo jeito dela e pela manifestai ndisposição a relacionamentos (q acho esconde uma grande disposição, se ela for – como parece – assemelhada a mim), a coisa não engatou num final de semana. ou seja, ainda não perdi a corrida.

Mas isso é algo a ser trabalhado. Embora meus problemas com as mulheres me aproximem muito do tal Mersault, eu não posso ficar nessa dependência ou vinculado a isso. Falhas, investidas frustradas são coisas absolutamente naurais e que estão dentro da margem do sistema. Embora o desejo por um relacionamento 100% perfeito seja compreensível, até em função da inexperiência, isso é uma coisa que não vai acontecer. Eu mesmo vivo dizendo que a perfeição não é humana, não posso ser incoerente nesse aspecto, por mais que seja duro e triste. A minha redenção nesse campo não vai acontecer de um modo mágico e místico. Então, eu preciso me conformar e agir mais como um jogador do que como uma criança que olha atônita para o espetáculo. E saber aceitar que “amores são como aves de verão” e que se eu não tentar conhecer mais gente, naum vou ter experiências que me serão necessárias um dia. Ademais, essa batalha só termina com a morte e essa ta longe. Ainda que outro relacionamento comece, a gente pode sempre sabotar ou esperar pra ficar com a sobra quando tudo quebra. Agora, ficar falando sem parar, ficar puto, perder o sono, ficar mal humorado, se desarranjar por completo por causa disso, ah, nada vale a pena. Primeiro por que não ajuda em nada, não melhora nada. Eu não tenho o dom de mudar mentes que porventura se aguçasse com esse auto-flagelo. Além de tudo, em segundo lugar, porque me fragiliza e me irrita profundamente, alterando um equilíbrio que já é dos mais delicados. E isso, eu não mereço. Finalmente, num terceiro ponto, pq como bem disse a marlene, naum valeria a pena: eu preciso conhecer pessoas e me relacionar pra me sentir melhor e pra ser feliz, naum pra me destruir. O custo seria maior que o benefício. E outra, cá entre nós, seria doentio.

Então, pra concluir essa merda, vamos tentar relaxar e sermos mais frios. Se não melhora em nada o desespero, nao adianta nada embarcar nele. O melhor é manter a cabeça no lugar e se focar no que interessa, nas grandes prioridades. Esse fogo dela em festas vai se curar logo, logo. E aí, na crise, quem liga sou eu. No fds dela gripada, quem vai estar na casa dos avós sou eu. O ombro em que ela vai dormir sera o meu. Deixa estar, deixa estar. Mas ao lado disso, é imperioso que eu não abandone meus planos de baladar aqui em sp e de começar a ficar a esmo nas festas. Isso vai de dar know-how e a segurança que eu preciso, até pra dar um bote certeiro no alvo final. E olhe que esse caminho de mais festas dela só a faz coincidir com a minha trajetória, o que, em tese, me faz mais próximo ainda dela. Olha q beleza, até q a situação não está tão mal assim!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Uma palavra: calma – outra: frieza – e  vamo que vamo

Devo ter pego uns 20 min, mas valeu a pena


Não nasci para servir

Março 8, 2008

Caríssimos,

Só uma nota sobre um acontecimento da semana. O tema: trabalho.

No grupo em que trabalho, n’outra unidade, uma discussão culminou com a saída de uma grande conhecida nossa do cargo de chefia. Dizia ela, após o ocorrido, que nunca mais voltaria para qualquer gerência. Uma vaga numa outra seção, porém, fez os planos mudarem e a entrevista ocorreu na semana que se encerrou.

Era claro e inequívoco que ela não havia superado ainda o anterior desligamento, tanto que de cada 5 palavras que ela dizia uma era o nome do superior dela que rompera mais de uma década de relacionamento profissional com muita brutalidade.

Eu lhe perguntava porque ela não havia posto a boca no trombone e espalhado pra toda a filial o que ocorrera, não para achincalhá-lo – embora isso soasse bem – mas para dizer que ela estava novamente livre para ocupar outros cargos.

Ela, porém, disse-me que não faria isso em consideração ao antigo superior e ao nome dele, “para que ele não passasse por constrangimentos“.

Ela fez a tal entrevista e saiu-se, aliás, muito bem. Contando como tinha acontecido, ela já veio com um papinho de que era muito importante ter um chefinho (sim, foi esse o termo) que estivesse sempre presente e que tivesse uma posição muito definida quanto às metas e ao desenvolvimento do trabalho, reiterando, em relação à discussão que culminara com sua demissão, que ela envidou esforços para minimizar os efeitos negativos do acontecimento para o anterior chefe dela.

Bem, pelo visto, a estratégia de se mostrar subordinada, prostrada e submissa a mais um centro de comando frutificou, já que ela recebeu umas tarefas pra fazer como experiência. Eu sei qual será o próximo passo: endeusar o chefe, ressaltando suas qualidades e seu infinito conhecimento. Detalhe: esse é o comportamento que a minha superiora demonstra e sempre demonstrou, a ponto de se referir ao nosso superior como sendo “o amado mestre“.

Bem, quando ouço essa expressão, tenho vontade real de matar, dar uma de Rambo e arrancar traquéias com as mãos. Em relação ao tom de submissão e de pequenez frente aos superiores, confesso que tenho um misto de raiva e pena, porque com esse agir parecem negar que nós todos somos iguais em essência e as diferenças que se notam derivam muito mais das condições e escolhas que cada um fez. Só isso.

Salvo honrosas exceções, os potenciais são iguais. Como cada um emprega (ou pôde empregar) o seu é o ponto chave das diferenças.

Esse tom me faz lembrar de cães, que apanham do dono e voltam, felizes da vida, abanando o rabo, pra tomar mais uma porrada.

Eu, sinceramente, não sirvo pra isso. Todos temos pontos a serem elogiados, é verdade, mas todos somos humanos e, por conta disso, temos um rol grande de defeitos que não podem ser ignorados. Sempre digo que se alguém fosse perfeito, não estaria aqui, andando entre homens, sede da imperfeição.

Tudo isso é pra dizer que o servir, com todo o peso da expressão, não me cai muito bem. Faço apenas uma ressalva: quando o servir me interessa e serve para travestir um mecanismo de obtenção de algo que seja do meu interesse. E aqui, novamente, me decepciono com minhas colegas, porque nelas a idealização já superou, há muito tempo, o servir falsamente dedicado, para cunhar expressão.

Oportuno encerrar com uma breve citação de uma fala de Iago em ‘Otelo’:

Tranquiliza-te, rapaz! Só continuo sob as ordens dele para servir meus propósitos a seu respeito. Nem todos podem ser amos, nem todos os amos podem ser fielmente servidos. Observarás muitos destes canalhas, obedientes de de joelhos flexíveis que, adorando sub obsequiosa servidão, empregam o próprio tempo como se fossem o burro do próprio dono, somente pela forragem e, quando ficam velhos, são demitidos. Chicote nesses patifes honestos!“(grifos meus)

Forte abraço,

C. Medina


Família, família…

Fevereiro 24, 2008

Caríssimos,

 

Perdoem a ausência, mas este mês está dos mais complicados. Pra resumir a ópera, saio de casa às 7:00 e volto às 23:00, beeemmm cansado. Pouca vezes a música “Capitão de indústria” fez tanto sentido e esteve tão em voga na minha playlist. Tanto que faço minhas as palvras da Nat nesse post aqui.

 

Tinha bolado uns posts legais no fim de semana passado, mas o cansaço me venceu e eles ficam pra uma próxima oportunidade.

 

Quero falar sobre uma conversa próxima de uma discussão que eu tive com minha mãe ainda há pouco. É, mais uma vez, um questionamento sem pretensões universalizadoras, ao contrário, é bem intimista.

 

Conversávamos sobre os assuntos da família, que se mantém lá no interior, enquanto eu e minha irmã permanecemos desgarrados do rebanho aqui na metrópole. O tema foi o aniversário da minha irmã, que ocorreu essa semana e não foi lembrado pela Velha Guarda do pessoal. Quando eles falaram comigo, dias depois, é que comentei en passant a comemoração que tivemos por aqui – aliás, só mesmo um vínculo estreito como esse pra me fazer compactar ainda mais a rotina de sono de uma noite, mas isso é outra conversa.

 

O fato é que a galera só ficou sabendo quando eu disse e hoje, quando encontraram a minha mãe, disseram que haviam ligado hoje, com dias de atraso, e cumprimentado. Minha genitora ficou bravíssima com o fato deles se referirem a ela em diminutivos, como “coitadinha”, “pobrezinha, ela estava trabalhando em pleno sábado”, “tão miudinha” e assim por diante, e, especialmente, pelo fato de que se fosse o aniversário de outros primos, filhos de uma das irmãs da minha mãe, certamente não haveria equívoco ou esquecimento, porque aquele era o ramo preferido pela família.

 

Eu tentei efetuar alguma defesa, mais pra minimizar a crítica e a animosidade dela, porque conheço a peça que é minha mãe. O fato é que não consegui, e ainda ouvi dela que (1) a família só gosta de quem segue a cartilha deles e (2) felizes aqueles que não a seguem, porque tem um monte de gente a menos pra dar satisfação e, principalmente, não tem que “acertar” com eles. Arrematou observando que praquele pessoal é um pecado terrível ser feliz, que só interessa contar mazelas, sofrimento e percalços, e como minha irmã é sempre positiva e nada disso conta, eles não teriam motivo pra gostar da minha irmã e lembrar de seu aniversário.

 

Bem, o comportamento dissidente da minha mãe com a Velha Guarda, grupo que se resume num dos lados dos ascendentes dela e que, por um monte de circunstâncias, é o que mais se parece com a noção de família, tanto pra ela quanto pra mim, tem raízes profundas que devem remontar à infância dela e à disputa, natural, entre os vários irmãos de um mesmo tronco. Um ponto de relevo foi a preferência da Velha Guarda por uma de suas irmãs, aparentemente bem mais “certinha” do que a minha mãe. Ressalto o “aparentemente”.

 

Com a vinda minha e da minha irmã, o negócio tomou outra dimensão, porque se começou a discutir de certo modo os papéis de cada um em relação a nós. A Velha Guarda tentava, de certo modo, tomar o lugar dos meus pais pra si, claro que de modo muito suave e dissimulado. Eu mesmo, ainda bem criança, era uma bela massa de manobra e só hoje consigo divisar com alguma capacidade de discernimento tudo o que ocorria. Isso ocorreu e deve ter reavivado os problemas.

 

Bem, mas porque estou postando isso? As afirmações da minha mãe, que, segundo ela, resultavam de toda uma tarde de ruminância, agora atingiram a mim. E embora eu tenha negado razão a ela, começo a acreditar que há ao menos um fundo de verdade.

 

Quando ela diz que não há espaço para estranhos, acho que ela tem razão. Eles nunca souberam mesmo lidar com as diferenças e eu confesso que ainda tenho dificuldades com isso, a despeito de ter mudado, e muito, nesse aspecto. Confesso, mais, que uma das maiores diferenças que eu verifiquei em relação ao meu comportamento pré e pós-faculdade foi o quanto eu aprendi a tolerar as diferenças e a conviver com as desigualdades. Em como eu percebi não ter a receita infalível para o sucesso, já que comportamento diferentes produziam, academicamente, resultados muitas vezes bem melhores do que os meus. Permito-me observar que isso foi um choque e me levou a uma profunda crise sobre se meu estilo de vida era correto e se eu estava no rumo certo, porque não me sentia, como ainda não me sinto, lá muito feliz.

 

Por outro lado, as pressões externas e a necessidade de dar satisfações sempre me incomodaram, tanto que minha vida pessoal costuma ser um segredo de Estado que não compartilho com ninguém. Apesar dos meus namoricos no interior, nunca apresentei nenhuma namorada, receoso do impacto que isso ia causar na família e, em especial, na Velha Guarda, e ainda hoje a idéia me soa desconfortável. A questão da vida profissional e acadêmica também me pareceu sempre difícil de relatar, porque eles nunca entenderam direito o que eu fazia aqui e mesmo como era o nome da faculdade, se era federal ou estadual, se eu pagava. Nunca tiveram a capacidade de entender minhas escolhas e, em boa verdade, ainda nem tem, tanto que prefiro poupá-los dos meus estratagemas pro futuro pois percebi que não vou ser entendido e, em suma, não vou ter apoio, talvez nem crítica aberta, só um “você é quem sabe”, recheado de um receio e de conversinhas dizendo que não arriscar o emprego que tenho com meus sonhos e bla-bla-bla.

 

É, mesmo quanto ao terceiro ponto eu tenho de dar algum crédito a ela. Eles definitivamente não sabem lidar muito bem com as alegrias, sempre frisando o que há de mais triste e complicado, o que incomoda, por compartilhar dessa características. Eu confesso que também me sinto assim às vezes, percebo que falo mais das desgraças do que das bonanças, por razões variadas. Primeiro porque minha vida é meio monótona e o que ressaltam são, infelizmente, as agruras. Também porque elas me parecem às vezes tão pequenas que dizer quais são parece remeter ao quão predominante são as positivas. Terceiro porque sou um pouco pessimista, é verdade.

 

O fato é que eu também me interesso pelas desgraças alheias, não porque goste disso, mas porque se eu me preocupo com alguém, a tendência é que eu “viva” os sentimentos dessa pessoa. Estando ela triste, eu fico igualmente triste e preocupado, de verdade (não tenho, aliás, razão nenhuma pra falsear aqui neste espaço). Se ela está bem, eu fico despreocupado, porque, ora bolas, está tudo bem e certo, direcionando minha atenção pra outro lado. Nisso, ao que me parece agora, esqueço de viver as partes boas. È certo, porém, que com isso deixei de viver minha vida, tanto que quando vim pra metrópole, uma das coisas que mais me impressionavam é que eu tinha o dia todo pra pensar em mim, já que os problemas da família estavam separados da minha ação por centenas de quilômetros. E isso foi muito, mas muito salutar.

 

Que beleza, então. Se eu admito que minha mãe está certa, sou obrigado a concordar que, por ser querido pela Velha Guarda, sigo a cartilha deles. Confessei, ademais, que compartilho um pouco do agir deles. E aí, sou como eles? Será que terei o mesmo destino deles? Uma velhice encarapitada numa cadeira espreitando o que acontece com os outros e criticando os supostos erros e falhas, que devem ser imputados, com alguma razão, ao meu jeito distorcido ou inflexível de ver as coisas? Será que eu vou encarar a vida sempre como um fardo infeliz, saltando de desgraça em desgraça como temas das pautas de minhas conversas? Que não vou saber gozar dos frutos dos meus esforços, como não soube ainda? Será esse o meu destino?

 

Noutra hora volto pra responder, devendo alguns comentários nos blogs da Dinha, Nat e Niala, que estão no meu rss e visito sempre de modo corrido no meu trabalho. Ainda escrevo aqui um com o tema que queria, sobre uma música que ouvi semana passada.

 

Perdoem, mais uma vez, a prolixidade. Confesso que só escrevo pra extravazar o que me atinge, e isso sempre vem em torrentes.

Abraços a todos, deste já dois kilogramas mais magro neste mês (hiii, ó eu reclamando da vida de novo…. mas compenso: o mês tá corrido mas tá bom!!)

 

Medina